SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2026
Com relação ao câncer de ânus, é CORRETO afirmar:
Câncer de canal anal (CEC) → Protocolo de Nigro (5-FU + Mitomicina + RT) é o padrão-ouro.
O carcinoma de células escamosas (CEC) do canal anal é tratado preferencialmente com quimiorradioterapia (esquema Nigro), visando a preservação esfincteriana, enquanto a cirurgia radical é reservada para resgate.
O câncer anal é uma neoplasia relativamente rara, mas com incidência crescente, fortemente associada à infecção pelo HPV. O canal anal estende-se da linha anorretal até a margem anal. A distinção anatômica entre canal e margem é crucial, pois define a estratégia terapêutica: tumores do canal são predominantemente CEC e respondem bem à quimiorradioterapia, enquanto tumores da margem são tratados como câncer de pele. O Protocolo de Nigro revolucionou o tratamento na década de 1970, transformando uma doença que exigia cirurgias mutilantes em uma condição tratável com preservação funcional.
O tratamento padrão-ouro para o carcinoma de células escamosas (CEC) do canal anal é a quimiorradioterapia exclusiva, utilizando o Protocolo de Nigro, que combina 5-Fluorouracil (5-FU) e Mitomicina C associados à radioterapia externa. Essa abordagem permite altas taxas de cura com preservação do esfíncter anal em cerca de 70-90% dos casos, evitando a necessidade de colostomia definitiva em primeira instância.
O câncer de margem anal (perianal) comporta-se de forma semelhante aos tumores de pele não melanoma, sendo frequentemente tratado com excisão local ampla quando as margens são seguras e não há comprometimento esfincteriano. Já o câncer de canal anal, devido à sua localização e drenagem linfática, exige quimiorradioterapia como abordagem inicial, reservando a cirurgia radical (amputação abdominoperineal) para casos de falha terapêutica ou recidiva.
Estudos clínicos demonstraram que a adição de Mitomicina C ao esquema de 5-FU e radioterapia melhora significativamente as taxas de controle local da doença e reduz a necessidade de cirurgias de resgate em comparação ao uso isolado de 5-FU com radioterapia. Embora aumente a toxicidade hematológica, os benefícios em sobrevida livre de colostomia justificam sua inclusão como componente essencial do regime padrão.
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