INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2022
Homem de 75 anos de idade, tabagista 1 maço/dia desde os 20 anos de idade, apresenta queixa de polaciúria, disúria e hematúria macroscópica. Relata diversos episódios de infecção do trato urinário no passado e hiperplasia prostática benigna tratada por ressecção transuretral, com melhora significativa dos sintomas obstrutivos urinários. No toque retal, percebe-se próstata de tamanho aumentado, com superfície regular. Exame de urina tipo I (EAS) evidencia hematúria maciça, com mais de 80% de hemácias isomórficas.Nesse caso, a melhor conduta diagnóstica e o diagnóstico mais provável são, respectivamente
Homem > 60 anos, tabagista, com hematúria macroscópica → alta suspeita de carcinoma de bexiga → uretrocistoscopia com biópsia.
A hematúria macroscópica, especialmente em pacientes idosos e tabagistas, é um sinal de alerta para carcinoma de bexiga. A uretrocistoscopia é o exame padrão-ouro para o diagnóstico, permitindo a visualização direta da lesão e a realização de biópsias para confirmação histopatológica.
O carcinoma de bexiga é a segunda neoplasia urológica mais comum, com uma incidência significativamente maior em homens e em idosos. O tabagismo é o fator de risco mais proeminente, aumentando o risco em até quatro vezes. A apresentação clínica clássica é a hematúria macroscópica indolor, embora sintomas irritativos como polaciúria e disúria também possam estar presentes, especialmente em casos de carcinoma in situ ou tumores invasivos. A importância clínica reside na necessidade de um diagnóstico precoce para um tratamento eficaz e melhor prognóstico. A fisiopatologia envolve a exposição crônica do urotélio a carcinógenos, levando à displasia e, eventualmente, ao carcinoma. O diagnóstico de hematúria macroscópica exige uma investigação completa do trato urinário. A uretrocistoscopia é o padrão-ouro, permitindo a visualização direta da bexiga e a biópsia de lesões suspeitas. Exames complementares como a urotomografia (TC de abdome e pelve com contraste) são importantes para avaliar o trato urinário superior e estadiar a doença. A citologia urinária pode ser útil, mas tem menor sensibilidade para tumores de baixo grau. O tratamento depende do estágio e grau do tumor. Tumores não invasivos do músculo (Ta, T1, CIS) são tratados com ressecção transuretral da bexiga (RTU-B) e, frequentemente, imunoterapia intravesical (BCG) ou quimioterapia. Tumores invasivos do músculo (T2-T4) geralmente requerem cistectomia radical com derivação urinária, quimioterapia neoadjuvante ou radioterapia. Para residentes, é fundamental estar atento aos fatores de risco e à apresentação da hematúria para indicar a investigação adequada e garantir o melhor desfecho para o paciente.
O tabagismo é o principal fator de risco, responsável por cerca de metade dos casos. Outros fatores incluem exposição ocupacional a aminas aromáticas (indústria de tintas, borracha), uso crônico de ciclofosfamida e radioterapia pélvica prévia.
A uretrocistoscopia permite a visualização direta da uretra e da bexiga, identificando lesões, tumores, cálculos ou outras anormalidades que possam ser a causa da hematúria. Além disso, possibilita a realização de biópsias para confirmação histopatológica de qualquer lesão suspeita.
A hematúria de origem prostática geralmente está associada a sintomas obstrutivos ou irritativos da HPB e pode ser mais evidente no início ou fim da micção. A hematúria de bexiga, especialmente por tumor, é frequentemente indolor e persistente, podendo ser macroscópica e total. A cistoscopia é fundamental para a diferenciação definitiva.
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