CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2013
Qual o provável diagnóstico da lesão apontada pela seta?
Lesão palpebral ulcerada com bordas peroladas e telangiectasias = Carcinoma Basocelular (CBC).
O carcinoma basocelular é o tumor maligno mais frequente das pálpebras. Apresenta crescimento lento e invasão local, mas raramente metastatiza, sendo a pálpebra inferior o local mais comum.
O carcinoma basocelular (CBC) representa cerca de 90% de todos os tumores malignos palpebrais. Embora tenha um potencial metastático extremamente baixo, sua capacidade de destruição local é significativa, podendo invadir a órbita e os seios paranasais se não for tratado adequadamente. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na inspeção cuidadosa sob lâmpada de fenda, mas a confirmação histopatológica por biópsia é obrigatória antes ou durante o tratamento definitivo. No diagnóstico diferencial, deve-se considerar o carcinoma espinocelular (mais agressivo e com potencial de metástase), o carcinoma de glândulas sebáceas (que pode mimetizar um calázio ou blefarite crônica) e o melanoma. A presença de ulceração, sangramento ocasional, telangiectasias e a destruição da arquitetura palpebral (como a madarose) são 'red flags' que exigem investigação imediata. O prognóstico é excelente quando a ressecção completa é alcançada precocemente.
O carcinoma basocelular (CBC) palpebral manifesta-se classicamente como uma pápula ou nódulo de aspecto perolado ou 'ceréreo', com telangiectasias finas na superfície. Com o tempo, a lesão pode sofrer ulceração central (conhecida como úlcera de Rodens) e apresentar bordas elevadas e endurecidas. Outro sinal importante é a perda de cílios (madarose) na área da lesão, o que sempre deve levantar suspeita de malignidade em qualquer tumor palpebral.
O CBC ocorre com maior frequência na pálpebra inferior (cerca de 50-60% dos casos), seguida pelo canto medial, pálpebra superior e, por fim, o canto lateral. A exposição solar crônica (radiação ultravioleta) é o principal fator de risco ambiental, o que explica a maior incidência em áreas mais expostas e em indivíduos de pele clara.
O tratamento padrão-ouro é a exérese cirúrgica completa com margens de segurança. A cirurgia micrográfica de Mohs é altamente recomendada para lesões em áreas críticas como o canto medial ou pálpebras, pois permite o controle total das margens durante o procedimento, preservando o máximo de tecido saudável e reduzindo as taxas de recorrência. Em casos inoperáveis ou pacientes muito debilitados, a radioterapia pode ser considerada, embora a cirurgia seja preferível.
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