Carcinoma Basocelular: Diagnóstico e Principais Sinais Clínicos

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Homem, 72 anos, aposentado, trabalhou como pescador por mais de 40 anos, procura atendimento médico devido ao surgimento de uma pequena ferida no dorso do nariz que não cicatriza há cerca de 8 meses. O paciente relata que a lesão sangra ocasionalmente após o trauma do banho, mas é indolor. Ao exame físico, observa-se uma pápula de 0,8 cm de diâmetro, com brilho perolado, bordas discretamente elevadas e presença de finas telangiectasias na superfície. Não há evidência de linfadenopatia cervical ou outras lesões suspeitas em áreas fotoexpostas. O diagnóstico mais provável é:

Alternativas

  1. A) Melanoma extensivo superficial
  2. B) Carcinoma basocelular
  3. C) Ceratose seborreica
  4. D) Carcinoma espinocelular

Pérola Clínica

Pápula perolada + Telangiectasias + Localização fotoexposta = Carcinoma Basocelular.

Resumo-Chave

O CBC é o câncer de pele mais comum, originado nas células basais da epiderme. Possui crescimento lento e baixo potencial metastático, mas é localmente invasivo.

Contexto Educacional

O Carcinoma Basocelular (CBC) representa cerca de 75-80% dos cânceres de pele não melanoma. Sua patogênese está intimamente ligada à radiação ultravioleta e mutações genéticas na via Sonic Hedgehog. Embora raramente metastatize, sua capacidade de destruição tecidual local pode ser significativa, especialmente em áreas como nariz, orelhas e pálpebras. O diagnóstico é clínico-dermatoscópico e confirmado por histopatologia. O prognóstico é excelente quando detectado precoce, reforçando a importância do rastreamento em pacientes com fototipos baixos e histórico de exposição solar ocupacional ou recreativa.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais variantes clínicas do CBC?

O carcinoma basocelular (CBC) é uma neoplasia polimórfica com diversas variantes clínicas. A forma nodular é a mais frequente, apresentando-se como uma pápula ou nódulo de brilho perolado, bordas elevadas e telangiectasias superficiais, podendo sofrer ulceração central (ulcus rodens). O CBC superficial manifesta-se como uma placa eritematosa e descamativa, muitas vezes confundida com eczema ou psoríase, sendo comum no tronco. Já o CBC esclerodermiforme ou infiltrativo é mais agressivo e de difícil delimitação, assemelhando-se a uma cicatriz ou placa endurecida, com maior risco de recorrência. Existe também o CBC pigmentado, que contém melanina e deve ser diferenciado do melanoma. O reconhecimento dessas variantes é crucial para a escolha da técnica cirúrgica e para a determinação do prognóstico local da lesão.

Qual a relação entre exposição solar e CBC?

A radiação ultravioleta (UV), especialmente a do tipo B (UVB), é o principal fator etiológico do carcinoma basocelular. Diferente do carcinoma espinocelular, que está mais ligado à exposição solar crônica e cumulativa, o CBC está fortemente associado a episódios de exposição solar intensa e intermitente, particularmente aqueles que resultam em queimaduras solares durante a infância e adolescência. A radiação UV induz mutações específicas no DNA das células basais da epiderme, afetando principalmente a via de sinalização Hedgehog. Mutações no gene supressor de tumor PTCH1 ou no proto-oncogene SMO levam à ativação constitutiva dessa via, resultando em proliferação celular descontrolada. Pacientes com fototipos baixos (I e II de Fitzpatrick), olhos claros e histórico familiar de câncer de pele possuem uma vulnerabilidade genética aumentada a esses danos actínicos.

Como é feito o tratamento padrão do CBC?

O tratamento padrão-ouro para o carcinoma basocelular é a excisão cirúrgica com controle de margens. Para lesões de baixo risco, margens de 4 mm costumam ser suficientes para garantir a cura. Entretanto, para lesões localizadas na 'zona H' da face (nariz, pálpebras, orelhas), lesões maiores que 2 cm ou subtipos histológicos agressivos (como o infiltrativo), a Cirurgia Micrográfica de Mohs é a técnica preferencial. Ela permite a avaliação de 100% das margens durante o ato operatório, garantindo a maior taxa de cura e a máxima preservação de tecido sadio. Em casos de CBC superficial em pacientes sem condições cirúrgicas, podem ser consideradas terapias tópicas como imiquimode a 5%, 5-fluorouracil ou terapia fotodinâmica, embora apresentem taxas de recorrência superiores à cirurgia convencional.

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