UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2024
Mitotano, que é um derivado do inseticida DDT, tem sido usado em um cenário adjuvante para o tratamento de lesões irressecáveis ou para metástase de doença maligna. No entanto, a eficácia terapêutica e a melhoria consistente são conflitantes nas taxas de sobrevivência e cura. Tem-se tentado a associação dessa droga com outras substâncias, como etoposide, doxorrubicina, cisplatina, resultando em melhores taxas de resposta. O mitotano é usado para o tratamento do câncer:
Mitotano = Droga adrenolítica padrão-ouro para Carcinoma Adrenocortical avançado ou adjuvante.
O mitotano atua causando atrofia da zona fasciculada e reticular da adrenal, sendo a principal droga no tratamento do carcinoma adrenocortical, muitas vezes associado a outros quimioterápicos.
O carcinoma adrenocortical (ACC) é uma neoplasia rara e agressiva. O mitotano permanece como a única droga aprovada especificamente para o tratamento do ACC há décadas. Sua origem como derivado do inseticida DDT reflete sua capacidade única de causar lise celular específica no córtex da suprarrenal. Devido à agressividade do ACC, o tratamento multimodal é a regra. A cirurgia R0 é o único tratamento curativo, mas as taxas de recidiva são altas, justificando o uso do mitotano adjuvante. Em cenários avançados, a monitorização dos níveis séricos da droga é fundamental para equilibrar a eficácia antitumoral com a toxicidade sistêmica, exigindo manejo por equipes oncológicas e endocrinológicas especializadas.
O mitotano (o,p'-DDD) é um agente citotóxico seletivo para o córtex adrenal. Ele causa destruição mitocondrial nas células adrenocorticais, levando à necrose e atrofia das zonas fasciculada e reticular, enquanto preserva relativamente a zona glomerulosa. Além de sua ação citotóxica direta, ele inibe enzimas esteroidogênicas (como a CYP11B1 e CYP11A1), reduzindo a produção de cortisol e outros esteroides, o que é extremamente útil no controle de síndromes paraneoplásicas hormonais comuns nesses tumores, como a síndrome de Cushing maligna.
O uso do mitotano é complexo devido à sua estreita janela terapêutica (níveis séricos ideais entre 14-20 mg/L) e perfil de toxicidade significativo. Efeitos colaterais gastrointestinais (náuseas, diarreia) e neurológicos (ataxia, confusão, tontura) são muito comuns e limitantes da dose. Além disso, por ser um potente indutor do citocromo P450 (especialmente CYP3A4), ele interage com inúmeros medicamentos e exige reposição de glicocorticoides em doses suprafisiológicas devido ao aumento da sua depuração metabólica e à insuficiência adrenal primária induzida pela droga.
O mitotano é indicado como terapia adjuvante após a ressecção completa de carcinomas adrenocorticais com alto risco de recorrência (tamanho > 10 cm, alto índice mitótico Ki-67 > 10%, ou ruptura capsular). Também é o pilar do tratamento para doença irressecável ou metastática, frequentemente combinado com o esquema EDP (Etoposide, Doxorrubicina e Cisplatina), que demonstrou melhores taxas de resposta e sobrevida livre de progressão em estudos clínicos pivotais como o FIRM-ACT, sendo o padrão de cuidado atual.
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