FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2025
Devem ser características ideais de um curativo para auxiliar no processo de cicatrização, EXCETO
Curativo ideal: mantém meio úmido, permite trocas gasosas (O₂/CO₂), isola termicamente e é barreira para micro-organismos.
Um ambiente ideal para cicatrização de feridas requer um equilíbrio fisiológico. O curativo deve permitir a troca de gases como oxigênio (essencial para o metabolismo celular e a função dos leucócitos) e dióxido de carbono, enquanto bloqueia a entrada de patógenos externos e mantém a umidade e a temperatura locais.
O manejo de feridas evoluiu significativamente do conceito antigo de mantê-las secas para o princípio da cicatrização em ambiente úmido. Um curativo ideal não é apenas uma cobertura passiva, mas um componente ativo no processo de cura, criando um microambiente fisiológico que otimiza a reparação tecidual. As características ideais de um curativo são multifatoriais e visam apoiar as complexas fases da cicatrização (inflamatória, proliferativa e de maturação). As propriedades essenciais incluem: manter a umidade no leito da ferida para facilitar a migração celular; ser impermeável a micro-organismos para prevenir infecções; ser um bom isolante térmico para manter a temperatura local estável, otimizando a atividade mitótica e enzimática; e não ser tóxico ou aderente ao leito da ferida, para evitar trauma durante as trocas. Além disso, deve ser capaz de absorver o excesso de exsudato sem ressecar a ferida. Uma característica fundamental, e o ponto chave da questão, é a permeabilidade gasosa. O curativo ideal deve permitir a troca de gases, principalmente a entrada de oxigênio (O₂) e a saída de dióxido de carbono (CO₂). O oxigênio é vital para o metabolismo celular, a síntese de colágeno pelos fibroblastos e a atividade fagocitária dos leucócitos para o controle de infecções. Portanto, impedir as trocas gasosas seria prejudicial ao processo de cicatrização, tornando esta uma característica indesejável em um curativo.
Manter a temperatura da ferida próxima à temperatura corporal (cerca de 37°C) otimiza a atividade enzimática e a mitose celular, processos cruciais para a cicatrização. A hipotermia local pode retardar a cura e aumentar o risco de infecção.
O ambiente úmido previne a desidratação do leito da ferida e a formação de crostas, facilitando a migração de queratinócitos (epitelização). Além disso, concentra fatores de crescimento e enzimas no local, acelerando as fases inflamatória e proliferativa da cicatrização.
Isso é possível devido ao tamanho dos poros do material. Curativos modernos, como filmes de poliuretano e hidropolímeros, possuem poros pequenos o suficiente para bloquear a entrada de bactérias e líquidos, mas grandes o suficiente para permitir a passagem de moléculas de vapor d'água, oxigênio e dióxido de carbono.
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