CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2021
Em relação à capsulotomia com Nd:YAG Laser, assinale a alternativa correta:
Pico de pressão intraocular após capsulotomia com Nd:YAG ocorre tipicamente entre 2 a 3 horas pós-procedimento.
A capsulotomia com Nd:YAG é o padrão-ouro para opacificação capsular posterior, mas exige vigilância da PIO, que apresenta elevação transitória precoce devido a detritos e inflamação.
A capsulotomia posterior com Nd:YAG laser é um procedimento ambulatorial essencial na oftalmologia para tratar a opacificação da cápsula posterior (OCP), a complicação tardia mais comum da cirurgia de catarata. O laser utiliza o princípio da fotodisrupção (plasma) para criar uma abertura no eixo visual. Embora seguro, o procedimento não é isento de riscos. Além da hipertensão ocular transitória, o residente deve estar atento ao risco de descolamento de retina (especialmente em míopes altos), edema macular cistoide e danos à lente intraocular. O conhecimento do tempo de pico da PIO é fundamental para o planejamento do fluxo de atendimento pós-operatório imediato.
A complicação aguda mais frequente e clinicamente relevante é a elevação transitória da pressão intraocular (PIO). Esse aumento ocorre geralmente nas primeiras 2 a 3 horas após a aplicação do laser. O mecanismo envolve a obstrução da malha trabecular por detritos de colágeno da cápsula posterior, células inflamatórias e, ocasionalmente, proteínas liberadas pelo impacto do laser. Em pacientes com reserva de escoamento comprometida, como glaucomatosos, esse pico pode ser severo, exigindo profilaxia com alfa-agonistas (apraclonidina ou brimonidina) e monitoramento rigoroso no consultório antes da alta.
As contraindicações incluem condições que impedem a visualização adequada da cápsula ou que aumentam drasticamente o risco de complicações. Edema de córnea importante, inflamação intraocular ativa (uveíte não controlada) e instabilidade severa da lente intraocular são pontos de atenção. O glaucoma de difícil controle é uma contraindicação relativa, exigindo estabilização prévia da PIO. A síndrome do bloqueio capsular, citada em algumas alternativas, é na verdade uma indicação para o laser (capsulotomia anterior ou posterior) para liberar o fluido retido, e não uma contraindicação.
As técnicas comuns incluem a abertura em cruz (cruciata), circular ou em espiral. A técnica em cruz é amplamente utilizada por ser eficaz e centralizada. A literatura discute que aberturas excessivamente grandes ou descentradas podem aumentar o risco de deslocamento da lente intraocular (LIO) ou prolapso de vítreo para a câmara anterior. Além disso, o 'pitting' (marcas no material da LIO) pode ocorrer se o foco do laser não for ajustado corretamente (offset posterior), o que pode causar queixas visuais de brilho e halos se localizado no eixo visual.
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