Intubação Esofágica: Reconhecimento pela Capnografia

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2022

Enunciado

Homem de 65 anos de idade é admitido por insuficiência respiratória aguda no Pronto-Socorro. Durante o atendimento inicial, evolui com piora do padrão respiratório e da hipoxemia, optando-se por intubação orotraqueal. Nesse momento, a frequência respiratória é de 40 irpm, saturação de oxigênio de 88% com máscara não reinalante a 15L/min, frequência cardíaca de 120bpm e pressão arterial de 60x30 mmHg. Após a intubação orotraqueal, a capnografia mostra a seguinte curva:Qual é o diagnóstico mais provável?

Alternativas

  1. A) Intubação esofágica.
  2. B) Pneumotórax.
  3. C) Intubação seletiva.
  4. D) Broncoespasmo.

Pérola Clínica

Capnografia plana/ausente após IOT → Intubação esofágica até prova em contrário.

Resumo-Chave

A capnografia é o método mais confiável para confirmar a intubação orotraqueal. Uma curva capnográfica plana ou com valores de CO2 expirado muito baixos (próximos de zero) após a intubação, especialmente em um paciente com hipoxemia e instabilidade hemodinâmica, é altamente sugestiva de intubação esofágica.

Contexto Educacional

A intubação orotraqueal (IOT) é um procedimento crítico no manejo da insuficiência respiratória aguda, e a confirmação de sua correta posição é de suma importância para evitar complicações graves. A capnografia é considerada o método mais confiável para confirmar a intubação traqueal, pois detecta a presença de dióxido de carbono (CO2) no ar expirado, um produto do metabolismo celular que é transportado pelo sangue e exalado pelos pulmões. Em um paciente intubado corretamente, a capnografia exibirá uma curva característica com CO2 expirado ao final da expiração (EtCO2) em torno de 35-45 mmHg. No entanto, se o tubo for inadvertidamente inserido no esôfago, a capnografia mostrará uma curva plana ou valores de EtCO2 muito baixos, próximos de zero, pois o esôfago não participa da troca gasosa. O reconhecimento imediato da intubação esofágica é vital, pois a falha em corrigi-la rapidamente leva à hipoxemia progressiva, bradicardia, hipotensão e, eventualmente, parada cardiorrespiratória. Além da capnografia, outros sinais que podem sugerir intubação esofágica incluem ausência de elevação do tórax, ausência de murmúrio vesicular à ausculta pulmonar, sons gástricos à insuflação de ar e piora do quadro clínico do paciente.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da capnografia na intubação orotraqueal?

A capnografia é o padrão ouro para a confirmação da intubação orotraqueal, pois detecta a presença de dióxido de carbono no ar expirado, indicando que o tubo está na traqueia e não no esôfago.

Como a curva capnográfica se apresenta na intubação esofágica?

Na intubação esofágica, a curva capnográfica será plana ou mostrará valores de CO2 muito baixos (próximos de zero), pois não há troca gasosa pulmonar e, portanto, não há CO2 sendo exalado.

Quais são os outros sinais de intubação esofágica?

Além da capnografia plana, outros sinais incluem ausência de elevação do tórax, ausência de murmúrio vesicular à ausculta, sons gástricos à insuflação, piora da hipoxemia e instabilidade hemodinâmica.

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