MedEvo Simulado — Prova 2026
Paciente de 29 anos, nuligesta, comparece à consulta ginecológica queixando-se de prurido vulvar intenso, disúria externa e corrimento esbranquiçado há 4 dias. Refere que este é o quinto episódio semelhante nos últimos 12 meses, tendo utilizado fluconazol 150 mg em dose única nas ocasiões anteriores, prescritos em unidades de pronto atendimento, com melhora temporária e recidiva precoce. Nega comorbidades, mas faz uso de anticoncepcional oral combinado. Ao exame físico, observa-se eritema e edema vulvar importantes, com presença de escoriações e pequenas fissuras em fúrcula vaginal. O exame especular revela conteúdo vaginal grumoso, em aspecto de "leite coalhado", aderido às paredes vaginais e ao colo uterino. O pH vaginal é de 4,2 e o teste de liberação de aminas (KOH 10%) é negativo. Diante do quadro clínico e do histórico de recorrência, qual a conduta terapêutica mais adequada?
Candidíase Recorrente (≥4 episódios/ano) → Indução (Fluconazol D1, D4, D7) + Manutenção semanal por 6 meses.
A candidíase recorrente exige um regime prolongado de supressão fúngica para evitar recidivas, após uma fase inicial de ataque para controle dos sintomas agudos.
A candidíase vulvovaginal recorrente (CVVR) representa um desafio clínico devido à sua natureza crônica e recidivante. Enquanto a maioria dos episódios esporádicos responde bem a tratamentos curtos, a CVVR exige uma fase de indução para eliminar a carga fúngica ativa, seguida por uma fase de manutenção (geralmente 6 meses) para manter a colonização em níveis assintomáticos. O fluconazol oral é o padrão-ouro para esse regime devido à facilidade posológica e eficácia comprovada. É fundamental diferenciar a CVVR de outras vulvovaginites e dermatoses vulvares que podem mimetizar o prurido crônico.
A CVVR é definida pela ocorrência de quatro ou mais episódios sintomáticos de candidíase vulvovaginal em um período de 12 meses. É uma condição que afeta significativamente a qualidade de vida e muitas vezes não está associada a fatores de risco óbvios, embora diabetes descompensado, uso de antibióticos e imunossupressão devam ser investigados. O diagnóstico deve ser confirmado clinicamente e, se possível, por cultura para identificar espécies não-albicans em casos resistentes.
Diferente da tricomoníase ou da vaginose bacteriana em certos contextos, a candidíase vulvovaginal não é classificada como uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST). O tratamento do parceiro sexual não demonstrou reduzir a taxa de recorrência na mulher e, portanto, não é recomendado rotineiramente. O tratamento do parceiro só deve ser considerado se ele apresentar sintomas de balanopostite fúngica.
O ácido bórico (600 mg intravaginal por 14 dias) é uma alternativa terapêutica de segunda linha, reservada principalmente para casos de candidíase causados por espécies não-albicans (como Candida glabrata), que apresentam resistência intrínseca ou sensibilidade reduzida aos azóis (como o fluconazol). Não é a primeira escolha para a recorrência padrão por Candida albicans, onde o esquema prolongado de fluconazol é mais eficaz e melhor tolerado.
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