Candidíase Vulvovaginal Recorrente: Manejo e Tratamento

HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2019

Enunciado

Mulher, 30 anos, retorna ao ambulatório de ginecologia geral com queixa de pruridovulvar, conteúdo vaginal branco e grumoso e sensação de disúria terminal. Destaca que éo quarto episódio nos últimos 6 meses com essas mesmas queixas. Refere muitoincômodo e que isso está diminuindo sua qualidade de vida. O conteúdo vaginal apresentou, ao exame microscópico, esporos e leveduras. O diagnóstico e a conduta mais adequada para esse caso clínico, são respectivamente:

Alternativas

  1. A) infecção recorrente por cândida não albicans e o tratamento é feito com itraconazoloral, 100mg, 2 vezes ao dia, uma vez por semana, por seis meses culturas devem serobtidas para conformar o diagnóstico.
  2. B) infecção recorrente por cândida não albicans e o tratamento é feito com terapia tópica com azóis prolongada por 3 semanas empiricamente. Não há necessidade de cultura para confirmar o diagnóstico.
  3. C) infecção recorrente por cândida albicans, o tratamento é feito com fluconazol oral, 100 mg a 200 mg por semana, por seis meses consecutivos e culturas devem ser obtidas para confirmar o diagnóstico.
  4. D) infecção recorrente por cândida albicans e o tratamento é feito com uma cápsula contendo 600mg de gelatina de ácido bórico por via intravaginal, diariamente, durante duas semanas. Não há necessidade de cultura para confirmar diagnóstico.
  5. E) infecção recorrente por cândia não albicans e o tratamento é feito com fluconazol oral, 100 mg ao dia, por semana e culturas devem ser obtidas para confirmar o diagnóstico.

Pérola Clínica

Candidíase vulvovaginal recorrente (CVVR) por C. albicans → Fluconazol 100-200mg/semana por 6 meses.

Resumo-Chave

A candidíase vulvovaginal é considerada recorrente quando há 4 ou mais episódios em 1 ano. Nesses casos, o tratamento de manutenção é crucial para evitar recidivas, sendo o fluconazol oral semanal por 6 meses a terapia de escolha para C. albicans.

Contexto Educacional

A candidíase vulvovaginal recorrente (CVVR) afeta uma parcela significativa de mulheres, impactando sua qualidade de vida. É definida pela ocorrência de quatro ou mais episódios sintomáticos em um ano. A maioria dos casos é causada por Candida albicans, mas espécies não-albicans, como C. glabrata e C. tropicalis, têm ganhado relevância devido à sua resistência a antifúngicos comuns. A identificação correta da espécie é crucial para o sucesso terapêutico. A fisiopatologia da CVVR envolve fatores do hospedeiro, como alterações imunológicas locais, uso de antibióticos de amplo espectro, diabetes mellitus descompensado e uso de contraceptivos orais de alta dose. O diagnóstico é feito pela história clínica, exame físico (conteúdo vaginal branco, grumoso, prurido, eritema) e microscopia (presença de leveduras e hifas). A cultura vaginal é recomendada em casos de CVVR para identificar a espécie e testar a sensibilidade. O tratamento da CVVR por C. albicans consiste em uma fase de indução (dose única de fluconazol 150 mg) seguida de uma fase de manutenção com fluconazol oral 100-200 mg semanalmente por 6 meses. Para espécies não-albicans, o tratamento é mais desafiador, podendo incluir azóis tópicos prolongados (ex: miconazol, clotrimazol) ou ácido bórico intravaginal. A adesão ao tratamento de manutenção é fundamental para prevenir novas recorrências e melhorar a qualidade de vida da paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para diagnosticar candidíase vulvovaginal recorrente?

A candidíase vulvovaginal é considerada recorrente quando a paciente apresenta quatro ou mais episódios sintomáticos documentados em um período de 12 meses. O diagnóstico é clínico e laboratorial.

Qual o tratamento de manutenção recomendado para candidíase recorrente por Candida albicans?

Para Candida albicans, o tratamento de manutenção padrão é o fluconazol oral, na dose de 100 a 200 mg, uma vez por semana, durante seis meses consecutivos.

Como o tratamento difere para candidíase recorrente causada por espécies não-albicans?

Para espécies não-albicans, o fluconazol pode ser menos eficaz. Nesses casos, opções incluem azóis tópicos prolongados por 14 dias ou ácido bórico intravaginal, 600 mg diariamente por 14 dias, seguido de manutenção.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo