MedEvo Simulado — Prova 2026
Mulher de 28 anos, nuligesta, usuária de anticoncepcional oral combinado, procura atendimento ginecológico queixando-se de episódios frequentes de prurido vulvar intenso e corrimento esbrancinhado, grumoso, tipo 'leite coalhado'. Refere que este é o quinto episódio nos últimos 12 meses, sendo que os sintomas costumam melhorar temporariamente com o uso de cremes vaginais de venda livre, mas retornam logo após o próximo ciclo menstrual. Ao exame físico, apresenta eritema e edema vulvovaginal acentuados, com presença de fissuras lineares em fúrcula e pequenos lábios. O conteúdo vaginal é aderido às paredes, com pH de 4,2 e teste das aminas (KOH 10%) negativo. A microscopia a fresco revela a presença de hifas e pseudohifas. Diante da principal hipótese diagnóstica, qual a conduta terapêutica mais adequada para o controle sustentado do quadro?
Candidíase Recorrente (≥4/ano) → Indução (Fluconazol dias 1, 4, 7) + Manutenção (150mg/semana por 6 meses).
A Candidíase Vulvovaginal Recorrente (CVVR) é definida por 4 ou mais episódios anuais. O tratamento padrão-ouro envolve uma fase de indução para remissão clínica seguida de uma fase de manutenção prolongada para prevenir recidivas.
A candidíase vulvovaginal recorrente representa um desafio clínico devido à sua natureza crônica e recidivante. Diferente dos episódios esporádicos, a CVVR frequentemente ocorre em hospedeiras imunocompetentes, sugerindo uma susceptibilidade local ou resposta imunológica inadequada ao fungo. O diagnóstico diferencial com outras vulvovaginites e dermatoses vulvares é essencial, sendo o pH vaginal (geralmente < 4,5 na candidíase) e a microscopia ferramentas fundamentais. O uso do fluconazol semanal por 6 meses baseia-se em evidências de que a supressão contínua do crescimento fúngico permite a restauração do equilíbrio da microbiota vaginal. É importante monitorar a função hepática em tratamentos prolongados, embora o risco de hepatotoxicidade com doses semanais de 150 mg seja baixo. Em casos de falha ao fluconazol, deve-se considerar a cultura com antifungigrama para pesquisar Candida glabrata ou outras espécies não-albicans.
A candidíase vulvovaginal recorrente (CVVR) é definida clinicamente pela ocorrência de quatro ou mais episódios sintomáticos de candidíase no período de 12 meses. É uma condição que afeta significativamente a qualidade de vida e muitas vezes não está associada a fatores de risco óbvios como diabetes ou imunossupressão, embora estes devam ser investigados. O diagnóstico deve ser confirmado por microscopia (presença de hifas/pseudohifas) ou cultura, especialmente para excluir espécies não-albicans que podem ser resistentes aos azóis convencionais.
O tratamento da CVVR divide-se em duas fases. A fase de indução visa eliminar os sintomas agudos e a carga fúngica, geralmente utilizando Fluconazol 150 mg por via oral nos dias 1, 4 e 7 (ou antifúngicos tópicos por 7 a 14 dias). Após a remissão dos sintomas, inicia-se a fase de manutenção, que consiste em Fluconazol 150 mg por via oral, uma vez por semana, durante 6 meses. Este regime de longo prazo é necessário porque a taxa de recorrência após tratamentos curtos em pacientes com CVVR é extremamente alta.
Não rotineiramente. A candidíase vulvovaginal não é classificada como uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST), pois o fungo Candida faz parte da microbiota vaginal normal em muitas mulheres. O tratamento do parceiro não demonstrou reduzir a taxa de recorrência na mulher. O tratamento do parceiro só é indicado se ele apresentar sintomas de balanopostite fúngica (eritema, prurido ou descamação na glande/prepúcio). Em casos de recorrência persistente, orientações sobre hábitos de higiene e vestuário são mais relevantes que o tratamento do parceiro.
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