FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2026
Paciente de 27 anos procura atendimento por prurido vulvar intenso, associado a corrimento branco grumoso, sem odor fétido. Refere episódios semelhantes anteriores, sendo este o quarto episódio no último ano. Ao exame, observa-se eritema vulvar e corrimento de aspecto clássico. Em relação ao quadro apresentado:
Candidíase Recorrente = ≥4 episódios/ano. Conduta: Indução + Manutenção (Fluconazol semanal por 6 meses).
A recorrência da candidíase exige investigação de fatores predisponentes e um regime terapêutico prolongado para suprimir a replicação fúngica.
A candidíase vulvovaginal é causada predominantemente pela Candida albicans. Na forma recorrente, deve-se sempre afastar fatores como diabetes mellitus, imunossupressão e uso crônico de corticoides. A cultura vaginal com antifungigrama é recomendada em casos recorrentes para identificar espécies não-albicans, como a Candida glabrata, que podem apresentar resistência intrínseca aos azóis.
A CVVR é definida pela ocorrência de quatro ou mais episódios sintomáticos de candidíase vulvovaginal em um período de 12 meses. É uma condição que afeta uma porcentagem significativa de mulheres e, ao contrário da candidíase esporádica, muitas vezes não possui um fator desencadeante óbvio, ocorrendo frequentemente em pacientes hígidas e imunocompetentes devido a uma resposta imune local inadequada ou hipersensibilidade ao fungo.
Após o tratamento do episódio agudo (fase de indução com Fluconazol 150mg nos dias 1, 4 e 7), inicia-se a fase de manutenção. O esquema padrão recomendado é o Fluconazol 150mg por via oral, uma vez por semana, durante 6 meses. Esse regime visa manter a carga fúngica abaixo do limiar sintomático. Se houver falha, deve-se considerar o uso de ácido bórico intravaginal em casos de espécies não-albicans.
De modo geral, a candidíase não é considerada uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST), e o tratamento rotineiro do parceiro não demonstrou reduzir a taxa de recorrência na mulher. No entanto, o tratamento do parceiro deve ser realizado se ele apresentar sintomas de balanite ou balanopostite. Em casos de recorrência persistente, a investigação de outros fatores de risco maternos é mais produtiva que o tratamento empírico do parceiro.
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