UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2024
Mulher, 29 anos, queixa-se de leucorreia de aspecto esbranquiçado, que surgiu após relação sexual há 5 dias, acrescida a seguir, de discreto prurido vulvar. Exame ginecológico: conteúdo vaginal aumentado, mais espesso e aderido às paredes vaginais; fita de pH vaginal = 3,0; Whiff test negativo; ao toque, colo posterior, móvel, indolor. Pode-se afirmar que, na citologia à fresco, é esperado se observar a presença de:
Leucorreia esbranquiçada, pH < 4,5, Whiff test negativo, prurido → Candidíase vaginal (hifas e esporos).
A candidíase vulvovaginal é caracterizada por leucorreia espessa, esbranquiçada, com prurido e pH vaginal ácido (<4,5). O Whiff test é negativo. Na citologia à fresco, a visualização de hifas e esporos é patognomônica, confirmando o diagnóstico.
A candidíase vulvovaginal é uma das infecções vaginais mais comuns, afetando milhões de mulheres anualmente. É causada principalmente por espécies de Candida, sendo a Candida albicans a mais prevalente. O conhecimento de seus sinais, sintomas e métodos diagnósticos é fundamental para residentes e estudantes de medicina, especialmente em Ginecologia e Clínica Médica, devido à sua alta incidência e ao impacto na qualidade de vida das pacientes. A fisiopatologia envolve o supercrescimento de Candida na vagina, geralmente quando há um desequilíbrio na microbiota vaginal, alterações hormonais (gravidez, uso de contraceptivos orais), uso de antibióticos de amplo espectro, diabetes mellitus descompensado ou imunossupressão. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado nos sintomas de prurido, queimação, disúria e leucorreia característica. O exame ginecológico revela a secreção típica e, por vezes, eritema e edema. O diagnóstico laboratorial é confirmado pela medição do pH vaginal (normalmente <4,5 na candidíase), Whiff test negativo e, crucialmente, pela microscopia da citologia à fresco, que demonstra a presença de hifas e esporos (leveduras). O tratamento é geralmente com antifúngicos tópicos (cremes, óvulos) ou orais (fluconazol), com altas taxas de sucesso. É importante diferenciar a candidíase de outras vulvovaginites para garantir o tratamento correto e evitar recorrências.
No exame ginecológico, a candidíase vulvovaginal geralmente apresenta leucorreia espessa, esbranquiçada, com aspecto de 'leite coalhado' ou 'queijo cottage', aderida às paredes vaginais. Pode haver eritema e edema vulvar e vaginal, além de fissuras.
O pH vaginal é crucial: na candidíase, é tipicamente ácido (<4,5); na vaginose bacteriana e tricomoníase, é elevado (>4,5). O Whiff test (teste das aminas) é positivo na vaginose bacteriana e tricomoníase, mas negativo na candidíase, ajudando a diferenciar essas condições.
Além das hifas e esporos (formas de levedura e pseudohifas), a citologia à fresco pode mostrar um número aumentado de leucócitos, embora não seja um achado constante ou patognomônico. A presença de hifas e esporos é o achado mais característico para o diagnóstico de candidíase.
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