Candidíase Vaginal: Diagnóstico e Tratamento Eficaz

SMS-SP - Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo — Prova 2019

Enunciado

Mulher, 20 anos, G1P1, refere corrimento vaginal amarelado esverdeado, grumoso, há 7 dias com prurido e ardor vaginal. Refere disúria terminal. Nega dispareunia. Ao exame especular: observa-se presença de conteúdo vaginal amarelo esverdeado, grumoso, aderido às paredes vaginais, colo uterino sem alterações. pH vaginal 4,0. Teste do KOH negativo. Realizado exame a fresco: presença de hifas, ausência de leucócitos e raros lactobacilos à microscopia. Qual o tratamento mais adequado? 

Alternativas

  1. A) Ceftriaxona 250mg dose única associado à Azitromicina 1g dose única.
  2. B) Metronidazol 500 mg oral, 12/12h por 7 dias.
  3. C) Ciprofloxacina 500mg via oral dose única e Azitromicina 1g associada e tratar parceiro 
  4. D) Penicilina Benzatina 2.400.000 U dose única.
  5. E) Fluconazol 150mg via oral dose única.

Pérola Clínica

Corrimento grumoso, pH < 4,5, hifas ao fresco = Candidíase → Fluconazol dose única.

Resumo-Chave

O quadro clínico de corrimento vaginal branco-grumoso ('leite coalhado'), prurido intenso, ardor, disúria, pH vaginal ácido (<4,5) e a presença de hifas no exame a fresco são características da candidíase vulvovaginal, cujo tratamento de escolha é o fluconazol oral em dose única.

Contexto Educacional

A candidíase vulvovaginal é uma infecção fúngica comum, causada principalmente pela Candida albicans, que afeta a maioria das mulheres em algum momento da vida. Os fatores de risco incluem uso de antibióticos, gravidez, diabetes mellitus e imunossupressão. A paciente apresenta um quadro clássico, com corrimento vaginal amarelo-esverdeado (embora mais comumente branco), grumoso, acompanhado de prurido intenso, ardor vaginal e disúria terminal. O exame especular revela um corrimento aderido às paredes vaginais, e o colo uterino geralmente não apresenta alterações significativas. O pH vaginal ácido (4,0) é um achado importante, pois o pH elevado (>4,5) sugere vaginose bacteriana ou tricomoníase. O teste do KOH negativo indica ausência de odor amínico, descartando vaginose bacteriana. O diagnóstico é confirmado pelo exame a fresco, que demonstra a presença de hifas ou pseudo-hifas, características da Candida. A ausência de leucócitos e raros lactobacilos são achados compatíveis. Diante desse quadro, o tratamento mais adequado é o fluconazol 150mg via oral em dose única, um antifúngico sistêmico eficaz contra a Candida.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados clínicos e laboratoriais da candidíase vaginal?

Clinicamente, há corrimento branco-grumoso, prurido intenso, ardor e disúria. Laboratorialmente, o pH vaginal é ácido (<4,5), o teste do KOH é negativo para odor amínico, e o exame a fresco revela hifas ou pseudo-hifas.

Qual o tratamento de primeira linha para candidíase vaginal não complicada?

Para candidíase não complicada, o tratamento de primeira linha é o fluconazol 150mg via oral em dose única, ou antifúngicos tópicos (cremes/óvulos) por 1 a 7 dias.

Como diferenciar candidíase de tricomoníase e vaginose bacteriana?

A candidíase tem corrimento grumoso, pH ácido e hifas. A tricomoníase tem corrimento amarelo-esverdeado bolhoso, pH >4,5 e tricomonas móveis. A vaginose bacteriana tem corrimento branco-acinzentado, odor fétido, pH >4,5 e clue cells.

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