Candidíase Vulvovaginal: Diagnóstico e Tratamento Eficaz

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2024

Enunciado

Ivanilce, de 38 anos de idade, chega ao consultório de ginecologia, queixando‑se de prurido vulvar e corrimento vaginal esbranquiçado, que teve início há três dias. Ela comenta que não tem parceiro sexual há mais de um ano. Lembra‑se de ter usado um antibiótico para tratar uma sinusite há cerca de duas semanas. Ela menciona episódios prévios de irritações cutâneas semelhantes, mas afirma que, desta vez, sente uma ardência mais intensa na região externa, especialmente ao urinar. Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) É fundamental realizar um exame físico com espéculo do colo uterino e solicitar sorologias, devido ao risco de outras ISTs.
  2. B) A hipótese principal é candidíase vulvovaginal. O tratamento com fluconazol VO pode ser iniciado se, ao exame físico da vulva, não forem observadas alterações indicativas de herpes simples.
  3. C) Antes de começar o tratamento para vaginose bacteriana, é vital solicitar um exame de cultura vaginal para descartar vaginose citolítica.
  4. D) Visto que Ivanilce já teve episódios similares anteriormente, é crucial solicitar exame de urina tipo I para tratar possível infecção urinária.
  5. E) O tratamento com creme vaginal de metronidazol é apropriado, pois a principal suspeita é a de candidíase.

Pérola Clínica

Candidíase vulvovaginal → prurido, corrimento branco, ardência; associada a uso de ATB. Fluconazol VO é tratamento padrão.

Resumo-Chave

A história de uso recente de antibióticos é um forte fator de risco para candidíase vulvovaginal, que se manifesta com prurido intenso, corrimento esbranquiçado e ardência. O tratamento com fluconazol oral é eficaz e conveniente, mas é importante descartar outras condições como herpes simples no exame físico.

Contexto Educacional

A candidíase vulvovaginal é uma infecção fúngica comum, afetando a maioria das mulheres em algum momento da vida. É causada principalmente pela Candida albicans e representa uma das principais causas de queixas ginecológicas, impactando significativamente a qualidade de vida. Sua prevalência aumenta com fatores como uso de antibióticos, gravidez, diabetes mellitus e imunossupressão. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado nos sintomas de prurido intenso, corrimento branco e espesso, e ardência vulvar. O exame físico pode revelar eritema e edema vulvar, além de placas esbranquiçadas na parede vaginal. A microscopia do corrimento com KOH 10% pode evidenciar hifas e esporos, confirmando a presença do fungo. É crucial diferenciar de outras vaginites, como vaginose bacteriana e tricomoníase, que possuem apresentações e tratamentos distintos. O tratamento para candidíase não complicada geralmente envolve antifúngicos. O fluconazol oral em dose única é uma opção conveniente e eficaz. Alternativamente, antifúngicos tópicos como clotrimazol ou miconazol em creme ou óvulos vaginais também são amplamente utilizados. Em casos de candidíase recorrente, pode ser necessário um regime de tratamento mais prolongado ou profilático.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da candidíase vulvovaginal?

Os sintomas clássicos incluem prurido vulvar intenso, corrimento vaginal esbranquiçado e espesso (tipo "leite coalhado"), ardência e disúria externa.

Qual o tratamento de primeira linha para candidíase vulvovaginal não complicada?

O tratamento de primeira linha é geralmente com antifúngicos, como o fluconazol oral em dose única (150 mg) ou cremes vaginais tópicos (ex: miconazol, clotrimazol) por 1 a 7 dias.

Como o uso de antibióticos se relaciona com a candidíase?

Antibióticos de amplo espectro podem eliminar a flora bacteriana vaginal normal (lactobacilos), que compete com a Candida spp., permitindo o crescimento excessivo do fungo e o desenvolvimento da candidíase.

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