INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2014
Uma mulher, com 23 anos de idade, primigesta, com idade gestacional de 23 semanas, em consulta de retorno Pré-Natal na Unidade Básica de Saúde, queixa-se de corrimento vaginal branco, pastoso, associado a prurido vulvar e disúria terminal. Inspeção vulvar: edema e eritema de grandes lábios. Ao exame especular: secreção vaginal branco-esverdeada, em placas, aderida à parede vaginal. Após a aplicação de KOH 10% identifica-se a presença de hifas no exame a fresco do conteúdo vaginal. A conduta indicada é tratamento com:
Prurido + corrimento em nata + hifas (KOH) → Candidíase. Tratar com imidazólico tópico na gestação.
A candidíase é comum na gestação devido ao aumento de estrogênio. O tratamento de escolha é tópico (miconazol ou clotrimazol) por 7 dias, evitando antifúngicos orais.
A candidíase vulvovaginal é uma das infecções mais frequentes durante o ciclo gravídico-puerperal. O ambiente vaginal torna-se mais rico em glicogênio e o pH sofre alterações, favorecendo a colonização por Candida sp. O quadro clínico clássico envolve prurido intenso, disúria terminal e corrimento grumoso. Na prática clínica, o manejo deve focar na segurança fetal. Os derivados imidazólicos tópicos, como o miconazol, clotrimazol e isoconazol, são considerados seguros (Categoria B). O exame especular é fundamental para diferenciar de outras vulvovaginites, como a vaginose bacteriana ou tricomoníase, que possuem tratamentos distintos.
Antifúngicos orais, como o fluconazol, são evitados na gestação, especialmente no primeiro trimestre, devido a estudos que sugerem um risco aumentado de malformações congênitas e abortamento espontâneo. O tratamento tópico é eficaz e possui absorção sistêmica mínima, sendo a via preferencial.
O diagnóstico é clínico-laboratorial, baseado na presença de prurido, corrimento branco em placas (aspecto de leite coalhado) e pH vaginal < 4,5. A confirmação ocorre pela visualização de hifas ou pseudohifas no exame a fresco com KOH a 10%.
Diferente de mulheres não gestantes, onde tratamentos curtos podem ser eficazes, em gestantes recomenda-se o uso de antifúngicos tópicos por um período prolongado, geralmente de 7 dias, para garantir a erradicação e reduzir recorrências.
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