Candidíase Vaginal: Diagnóstico e Sinais Clínicos Chave

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023

Enunciado

Uma mulher de 27 anos vai em consulta por demanda espontânea na unidade básica de saúde com queixa de corrimento vaginal e de prurido há 3 dias. Ela não é fumante nem possui histórico de infecções sexualmente transmissíveis. Sua última menstruação ocorreu há 20 dias. Ao exame físico, a paciente está em bom estado geral, com temperatura de 36,8 °C, frequência cardíaca de 80 batimentos por minuto, sem sinais de dor abdominal nem de alterações ginecológicas ao toque vaginal. Ao exame especular, é observado um corrimento esbranquiçado, sem cheiro forte, grumoso e aderente na parede vaginal e ectocérvice, além de hiperemia da mucosa vaginal. O teste de Whiff (KOH 10%) foi negativo e o pH vaginal estava normal (< 4,5). A partir desses achados, assinale a opção que apresenta o agente etiológico mais provável. 

Alternativas

  1. A) Candida sp.
  2. B) Gardnerella vaginalis.
  3. C) Trichomonas vaginallis.
  4. D) Chlamydia trachomatis.

Pérola Clínica

Corrimento vaginal grumoso, prurido, hiperemia, Whiff negativo, pH normal (<4,5) → Candidíase vaginal.

Resumo-Chave

O quadro clínico de corrimento vaginal esbranquiçado e grumoso, associado a prurido intenso e hiperemia vaginal, com pH vaginal normal (<4,5) e teste de Whiff negativo, é altamente sugestivo de candidíase vaginal. Esses achados diferenciam a candidíase de outras vulvovaginites comuns.

Contexto Educacional

A candidíase vaginal, ou vulvovaginite candidiásica, é uma infecção fúngica comum do trato genital feminino, causada principalmente pela Candida albicans. É uma das principais causas de corrimento vaginal e prurido, afetando uma grande proporção de mulheres em idade reprodutiva. Embora não seja considerada uma infecção sexualmente transmissível clássica, pode ser transmitida sexualmente em alguns casos. A fisiopatologia envolve o crescimento excessivo de Candida na vagina, que é um comensal normal. Fatores como uso de antibióticos, diabetes mellitus, gravidez, uso de contraceptivos orais de alta dosagem e imunossupressão podem predispor ao desequilíbrio da flora vaginal e à proliferação fúngica. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado nos sintomas e achados do exame físico. Ao exame especular, observa-se um corrimento esbranquiçado, grumoso, aderente às paredes vaginais, com hiperemia e edema da mucosa vaginal. O prurido vulvovaginal é o sintoma mais proeminente. O pH vaginal geralmente permanece normal (<4,5), e o teste de Whiff (teste das aminas) é negativo, diferenciando-a de outras vulvovaginites como a vaginose bacteriana e a tricomoníase. A microscopia do corrimento com KOH 10% pode revelar hifas e esporos, confirmando o diagnóstico. O tratamento é feito com antifúngicos tópicos ou orais.

Perguntas Frequentes

Quais são as características típicas do corrimento vaginal na candidíase?

O corrimento é classicamente descrito como esbranquiçado, grumoso (assemelhando-se a "leite coalhado" ou "queijo cottage"), sem odor fétido e aderente às paredes vaginais.

Por que o pH vaginal e o teste de Whiff são importantes no diagnóstico diferencial das vulvovaginites?

Na candidíase, o pH vaginal geralmente é normal (<4,5) e o teste de Whiff (adição de KOH 10% para detectar odor amínico) é negativo. Em contraste, na vaginose bacteriana e tricomoníase, o pH é elevado (>4,5) e o teste de Whiff é positivo.

Qual o agente etiológico mais comum da candidíase vaginal?

O agente etiológico mais comum é a Candida albicans, responsável por cerca de 85-90% dos casos de vulvovaginite candidiásica. Outras espécies de Candida podem estar envolvidas, especialmente em casos recorrentes.

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