Vulvovaginites: Diagnóstico Diferencial dos Corrimentos Vaginais

UFG/HC - Hospital das Clínicas da UFG - Goiânia (GO) — Prova 2022

Enunciado

Vulvovaginites são infecções da vulva e vagina causadas principalmente por candidíase, vaginose bacteriana e tricomonas. Em diagnóstico de vulvovaginites,

Alternativas

  1. A) candidíase apresenta-se clinicamente com fluxo vaginal branco, tipo leite e coalhada, com prurido vaginal.
  2. B) vaginose bacteriana apresenta como marcante o sinal do colo em “morango” ou “framboesa”.
  3. C) presença de clue cells é característico na citologia da tricomoniase.
  4. D) presença de hifas e leveduras, na citologia, é típica na vaginose bacteriana.

Pérola Clínica

Candidíase vaginal = prurido intenso + corrimento branco, espesso, tipo "leite coalhado".

Resumo-Chave

A candidíase vaginal é caracterizada por prurido vulvovaginal intenso, eritema e um corrimento vaginal branco, espesso e grumoso, com aspecto de "leite coalhado", sem odor fétido, diferenciando-se de outras vulvovaginites.

Contexto Educacional

As vulvovaginites são condições inflamatórias da vulva e vagina, sendo as mais comuns a candidíase vaginal, a vaginose bacteriana e a tricomoníase. O diagnóstico correto é fundamental para um tratamento eficaz e para evitar complicações ou recidivas. Cada uma dessas condições apresenta um quadro clínico e achados laboratoriais distintos que permitem a diferenciação. A candidíase vaginal, causada por espécies de Candida (principalmente Candida albicans), manifesta-se tipicamente com prurido vulvovaginal intenso, eritema, edema e um corrimento vaginal branco, espesso, grumoso, com aspecto de "leite coalhado" ou "ricota", geralmente sem odor fétido. O diagnóstico é confirmado pela microscopia do corrimento, que revela hifas e leveduras. A vaginose bacteriana, uma disbiose da flora vaginal com supercrescimento de bactérias anaeróbias (ex: Gardnerella vaginalis), caracteriza-se por um corrimento branco-acinzentado, homogêneo, com odor fétido ("cheiro de peixe"), que se intensifica após a relação sexual e com a adição de KOH (teste do cheiro positivo). O exame microscópico revela "clue cells" (células epiteliais com bordas obscurecidas por bactérias) e ausência de lactobacilos. A tricomoníase, uma infecção sexualmente transmissível causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis, apresenta um corrimento amarelo-esverdeado, bolhoso, com odor fétido, associado a prurido, disúria e dispareunia. O exame especular pode revelar o clássico "colo em morango" ou "framboesa". A microscopia a fresco do corrimento mostra protozoários móveis. A correta identificação dos sinais e sintomas, juntamente com exames complementares, é essencial para o manejo adequado dessas infecções.

Perguntas Frequentes

Quais são as características do corrimento na vaginose bacteriana?

Na vaginose bacteriana, o corrimento é geralmente branco-acinzentado, homogêneo, de odor fétido (cheiro de peixe podre), especialmente após a relação sexual, e não costuma causar prurido intenso.

O que são "clue cells" e em qual vulvovaginite são encontradas?

"Clue cells" (células-chave) são células epiteliais vaginais recobertas por bactérias, que perdem seus limites citoplasmáticos. São um achado característico e diagnóstico da vaginose bacteriana.

Qual o achado clássico no exame físico da tricomoníase?

O achado clássico, embora nem sempre presente, é o "colo em morango" ou "colo em framboesa", que consiste em pequenas petéquias na superfície do colo uterino, visíveis ao exame especular, além de um corrimento amarelo-esverdeado e bolhoso.

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