Candidíase Mamária: Diagnóstico e Tratamento na Amamentação

UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2020

Enunciado

Mãe primípara, de 23 anos, trouxe à consulta de puericultura seu filho de 30 dias de vida. Informou que a criança encontrava-se em aleitamento materno exclusivo sob livre demanda e parecia bem satisfeita após as mamadas. Queixou-se de dor intensa, em queimação, em ambas as mamas e que, muitas vezes, ao amamentar, se assemelhava a uma fisgada. Ao exame das mamas, a única alteração perceptível foram os mamilos vermelhos e brilhantes, porém sem sinais flogísticos. Tanto a mãe como a criança estavam afebris. O exame físico do lactente foi normal, e o ganho de peso era adequado. Nesse momento, deve-se prescrever

Alternativas

  1. A)  miconazol creme para os mamilos e nistatina oral para o lactente.
  2. B)  hidrocortisona creme para as mamas e orientar a pega adequada do bebê.
  3. C)  cetoconazol creme para os mamilos.
  4. D)  cefalexina via oral para a mãe.
  5. E)  ibuprofeno via oral para a mãe e estimular a ordenha manual das mamas.

Pérola Clínica

Dor mamária em queimação/fisgada + mamilos vermelhos/brilhantes + lactente com ou sem sapinho → Candidíase mamária → tratar mãe (antifúngico tópico) e bebê (antifúngico oral).

Resumo-Chave

A candidíase mamária é uma causa comum de dor intensa durante a amamentação, caracterizada por dor em queimação e mamilos brilhantes. O tratamento deve ser direcionado tanto à mãe quanto ao bebê, pois a infecção é frequentemente recíproca.

Contexto Educacional

A candidíase mamária é uma condição comum e dolorosa que afeta mães lactantes, muitas vezes subdiagnosticada ou confundida com outras causas de dor mamária. É causada pelo fungo Candida albicans, que pode colonizar a pele dos mamilos e os ductos mamários, especialmente em ambientes úmidos e quentes, ou após uso de antibióticos. A dor intensa pode comprometer a continuidade do aleitamento materno, tornando seu reconhecimento e tratamento essenciais para a saúde da díade mãe-bebê. O diagnóstico é principalmente clínico, baseado nos sintomas característicos: dor em queimação ou fisgada, que pode ser unilateral ou bilateral, e que frequentemente se intensifica durante e após as mamadas. Os mamilos podem apresentar-se vermelhos, brilhantes, edemaciados ou com fissuras. No bebê, pode haver monilíase oral (sapinho), caracterizada por placas brancas na mucosa oral que não saem facilmente com a raspagem. É importante diferenciar de mastite bacteriana (que cursa com sinais flogísticos e febre) e problemas de pega (que geralmente causam dor mais localizada e fissuras). O tratamento eficaz da candidíase mamária requer uma abordagem dupla, tratando tanto a mãe quanto o bebê simultaneamente. Para a mãe, recomenda-se o uso de antifúngicos tópicos, como miconazol creme, aplicado nos mamilos após cada mamada. Para o bebê, nistatina oral é o tratamento de escolha para a monilíase oral. Medidas de higiene, como esterilização de chupetas e bicos de mamadeira, e secagem adequada dos mamilos, também são importantes para prevenir a recorrência.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas típicos da candidíase mamária na mãe lactante?

Os sintomas incluem dor intensa em queimação ou fisgada nas mamas, que pode se irradiar para as costas, mamilos vermelhos, brilhantes, sensíveis ou com descamação. A dor geralmente piora durante e após as mamadas.

Por que o tratamento da candidíase mamária deve incluir o bebê?

A candidíase mamária é frequentemente uma infecção recíproca entre mãe e bebê. O bebê pode ter monilíase oral (sapinho), que serve como reservatório para reinfecção da mama. Tratar ambos simultaneamente é crucial para erradicar a infecção e prevenir recorrências.

Como diferenciar candidíase mamária de mastite bacteriana?

A candidíase mamária geralmente apresenta dor em queimação bilateral, mamilos brilhantes e ausência de sinais flogísticos sistêmicos como febre, calor, edema ou eritema localizado. A mastite bacteriana é tipicamente unilateral, com febre, mal-estar e sinais inflamatórios localizados.

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