Candidíase Mamária: Diagnóstico e Tratamento na Lactação

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023

Enunciado

Durante consulta de puericultura de uma criança com 30 dias de vida, a mãe refere que está amamentando de modo exclusivo e que sua produção de leite é muito grande, relatando que “precisa usar protetores mamários constantemente, pois sempre está ‘vazando’ leite das mamas”. Conta também que, na última semana, teve dificuldade para amamentar devido a prurido intenso e ardência na região mamilar, além de dores nas mamas, do tipo “agulhadas”, que persistem após as mamadas. Ao exame das mamas da lactante, observa-se a pele dos mamilos e da aréola avermelhada, brilhante, com fina descamação. O bebê encontra-se em bom estado geral, normal ao exame físico, e com ganho ponderal de 40 gramas por dia.Considerando o quadro descrito, faça o que se pede nos itens a seguir.a)\tCite duas hipóteses diagnósticas para o caso. (valor: 2,0 pontos)b)\tExplique as duas hipóteses diagnósticas, discorrendo sobre os fatores predisponentes de cada hipótese e o manejo adequado para cada uma. (valor: 6,0 pontos)c)\tDescreva pelo menos 4 orientações gerais pertinentes e adequadas para, nesse caso, melhorar a saúde da lactante e a amamentação. (valor: 2,0 pontos)

Alternativas

Pérola Clínica

Dor em agulhada pós-mamada + mamilo brilhante/avermelhado = Candidíase mamária.

Resumo-Chave

A candidíase mamária deve ser suspeitada quando há dor persistente e profunda, mesmo com pega adequada, frequentemente associada a mamilos eritematosos e brilhantes.

Contexto Educacional

A candidíase mamária é uma complicação comum do puerpério que pode levar ao desmame precoce devido à dor intensa e persistente. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na tríade de dor profunda (em agulhada), alterações cutâneas mamilares características e, por vezes, presença de monilíase no lactente. Fatores como uso de antibióticos, diabetes materno ou umidade excessiva nos mamilos predispõem à infecção por Candida albicans. É essencial que o médico diferencie esta condição de dermatites de contato ou trauma por má pega. O manejo adequado envolve não apenas a farmacoterapia, mas também a correção de hábitos de higiene e a garantia de que o binômio mãe-filho seja tratado integralmente para evitar recidivas. A educação em saúde sobre a ventilação das mamas e a exposição solar é uma ferramenta preventiva poderosa.

Perguntas Frequentes

Quais os sintomas clássicos da candidíase mamária?

Os sintomas incluem dor intensa, descrita como 'agulhadas' ou 'queimação', que persiste após a mamada. Fisicamente, o mamilo e a aréola podem parecer avermelhados, brilhantes, com descamação fina ou pequenas fissuras que não cicatrizam. O prurido também é um sintoma frequente relatado pelas lactantes, diferenciando-se da dor causada apenas por má pega.

Como é feito o tratamento da candidíase na amamentação?

O tratamento deve ser simultâneo para mãe e bebê. Para a mãe, utiliza-se antifúngicos tópicos (como nistatina, miconazol ou clotrimazol) após cada mamada e, em casos persistentes ou graves, fluconazol sistêmico. Para o bebê, aplica-se nistatina oral na mucosa, mesmo que não haja sinais visíveis de monilíase oral (sapinho), para erradicar o reservatório do fungo.

Quais orientações ajudam na prevenção da candidíase?

Manter os mamilos secos é fundamental, pois a umidade favorece o crescimento de fungos. Recomenda-se trocar protetores mamários frequentemente, expor as mamas ao sol sempre que possível, evitar o uso excessivo de bicos artificiais e higienizar adequadamente qualquer objeto (como chupetas ou bombas de extração) que entre em contato com a boca do bebê ou com a mama.

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