UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2022
Um paciente de 75 anos de idade, encontra-se no vigésimo dia pós-operatório de laparotomia exploradora devido abdome agudo inflamatório por diverticulite. Evoluiu com broncopneumonia aspirativa na indução anestésica, necessitando de ventilação mecânica e cuidados de terapia intensiva. Há 7 dias, foi extubado e, no momento, está sem drogas vasoativas com pressão em níveis de normalidade, afebril, recebendo dieta enteral e com hemocultura negativa, mas swab positivo para cândida. O leucograma está normalizado. Está completando catorze dias de meropenem e vancomicina. Considerando o caso clínico, assinale a alternativa correta:
Swab positivo para Cândida em paciente estável, hemocultura negativa = colonização, não infecção invasiva → não indica antifúngico EV.
A presença de Cândida em swab de paciente estável, afebril, com leucograma normal e hemocultura negativa, geralmente representa colonização e não infecção invasiva. Nesses casos, a terapia antifúngica sistêmica não é indicada, evitando toxicidade e resistência.
A candidíase invasiva é uma infecção fúngica grave, comum em pacientes hospitalizados, especialmente em unidades de terapia intensiva (UTI). A mortalidade associada é alta, tornando seu diagnóstico e manejo desafiadores. A diferenciação entre colonização e infecção real é crucial para evitar o uso desnecessário de antifúngicos, que podem levar a toxicidade e desenvolvimento de resistência. O diagnóstico de candidíase invasiva é complexo, pois a Cândida é um comensal comum. A presença de Cândida em swabs de mucosas ou pele frequentemente reflete colonização. O diagnóstico definitivo requer o isolamento do fungo de um sítio estéril, como o sangue (candidemia). Marcadores como beta-D-glucana e PCR para Cândida podem auxiliar, mas devem ser interpretados com cautela e no contexto clínico. A conduta terapêutica depende da evidência de infecção. Em pacientes estáveis, afebris, com hemoculturas negativas e swab positivo, a colonização é o diagnóstico mais provável e não justifica tratamento antifúngico sistêmico. O tratamento empírico é reservado para pacientes graves com fatores de risco e suspeita clínica forte, enquanto a profilaxia é indicada em grupos de alto risco selecionados.
O tratamento antifúngico empírico em UTI é considerado para pacientes com fatores de risco para candidíase invasiva (ex: uso prolongado de ATB de largo espectro, nutrição parenteral, cirurgia abdominal, cateter venoso central) e que apresentem sinais de sepse persistente ou choque, mesmo com cobertura antibacteriana adequada.
Não, um swab positivo para Cândida, especialmente em sítios mucosos ou cutâneos, frequentemente indica colonização, e não infecção invasiva. A interpretação deve ser feita no contexto clínico, com outros exames como hemoculturas.
Fatores de risco incluem uso de antibióticos de amplo espectro, nutrição parenteral total, cirurgia abdominal recente, cateteres venosos centrais, imunossupressão, diálise, pancreatite e internação prolongada em UTI.
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