UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2025
Mulher de 50 anos, com diagnóstico de lúpus eritematoso difuso, nefrite lúpica, em esquema de imunossupressores, vem apresentando, há trinta dias, dor intensa a deglutição, leve disfagia e anorexia. Nega febre. O exame físico mostra uma mulher emagrecida, desnutrida, com perda de 6 kg no último mês, sem alterações na cavidade oral. O próximo exame para a investigação diagnóstica, o diagnóstico mais provável e a medicação adequada para tratá-lo, respectivamente, são:
Odinafagia no imunossuprimido → EDA + Fluconazol (mesmo sem placas orais).
Em pacientes imunossuprimidos com sintomas esofágicos, a candidíase é a principal suspeita. A ausência de monilíase oral não exclui o acometimento esofágico, exigindo EDA para confirmação.
A esofagite infecciosa é uma complicação frequente em estados de imunossupressão profunda, seja por doenças autoimunes, HIV ou transplantes. A Candida albicans é o agente oportunista mais prevalente. Clinicamente, manifesta-se por odinafagia intensa, que pode levar à desidratação e perda ponderal significativa, como visto no caso clínico. O diagnóstico padrão-ouro é a Endoscopia Digestiva Alta (EDA), que revela placas brancas friáveis. O diagnóstico diferencial com CMV e HSV é crucial, pois o tratamento difere radicalmente (Ganciclovir e Aciclovir, respectivamente). No LES, a atividade da doença e o uso de corticoides/imunossupressores aumentam drasticamente a vulnerabilidade a essas infecções.
A candidíase esofágica (monilíase) é a causa mais comum de odinafagia e disfagia em pacientes imunocomprometidos, como aqueles em uso de corticoterapia ou imunossupressores para LES. Outras causas importantes incluem esofagite por Herpes Simplex (HSV) e Citomegalovírus (CMV), que geralmente apresentam úlceras características na endoscopia.
Não. Embora a presença de candidíase oral (sapinho) aumente a probabilidade preditiva, muitos pacientes apresentam acometimento esofágico isolado. Por isso, em pacientes sintomáticos, a Endoscopia Digestiva Alta (EDA) é fundamental para visualização das placas esbranquiçadas aderidas à mucosa e coleta de biópsias se necessário.
O tratamento de primeira linha é o Fluconazol por via oral (ou venosa se o paciente não tolerar a via oral), geralmente por 14 a 21 dias. Diferente da candidíase oral, a esofagite exige tratamento sistêmico, não sendo suficiente o uso de nistatina tópica.
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