Candidemia: Tratamento Empírico e Escolha do Antifúngico

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2019

Enunciado

Homem, 19a, começa a apresentar vários picos febris há dois dias. Está internado há dez dias devido a acidente automobilístico. Colhidas hemoculturas que positivaram para leveduras após 26 horas de cultivo. O perfil de suscetibilidade dos fungos causadores de infecção da corrente sanguínea no serviço está descrito na tabela: Porcentagem de suscetibilidade aos antifúngicos disponíveis para prescrição.LEVANDO-SE EM CONSIDERAÇÃO OS PRINCÍPIOS DO USO RACIONAL DE ANTIMICROBIANOS (FÁRMACO CERTO, NA HORA CERTA, NA DOSE CERTA, COM O MENOR RISCO DE EFEITOS COLATERAIS A AO MENOR CUSTO), A CONDUTA É:

Alternativas

  1. A) Micafungina até definição do patógeno, podendo ser trocado para fluconazol seconfirmado Candida albicans ou C. tropicalis.
  2. B) Anfotericina B, independente da identificação final do patógeno.
  3. C) Fluconazol até definição do patógeno, podendo ser trocado para anfotericina B seconfirmado Mucor sp ou Rhizopus sp.
  4. D) Voriconazol até definição do patógeno, devendo ser trocado para anfotericina B seconfirmado Fusarium sp.

Pérola Clínica

Candidemia em paciente internado → iniciar equinocandina (Micafungina) empírica, escalonar após identificação.

Resumo-Chave

Em casos de candidemia em pacientes internados, especialmente com fatores de risco, a terapia empírica inicial com uma equinocandina (como micafungina) é preferível devido à sua ampla cobertura contra espécies de *Candida*, incluindo as resistentes ao fluconazol. A terapia pode ser ajustada após a identificação da espécie e o perfil de sensibilidade.

Contexto Educacional

Infecções da corrente sanguínea por leveduras, ou candidemias, são infecções nosocomiais graves, com alta morbimortalidade, especialmente em pacientes internados com múltiplos fatores de risco. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são cruciais para o prognóstico. A identificação do patógeno e seu perfil de sensibilidade são fundamentais para otimizar a terapia, seguindo os princípios do uso racional de antimicrobianos. A conduta inicial em casos de candidemia suspeita ou confirmada em pacientes graves ou com fatores de risco para espécies não-*albicans* resistentes ao fluconazol, como *Candida glabrata* ou *Candida krusei*, preconiza o uso de equinocandinas (micafungina, caspofungina, anidulafungina). Essas drogas têm um amplo espectro contra *Candida* spp. e um bom perfil de segurança, sendo consideradas a primeira linha para terapia empírica. Após a identificação da espécie de *Candida* e a determinação da sensibilidade aos antifúngicos, a terapia pode ser desescalonada. Por exemplo, se for confirmada *Candida albicans* ou *Candida tropicalis* sensível ao fluconazol, a troca para este antifúngico oral é uma opção, permitindo a alta hospitalar e reduzindo custos, sempre reavaliando a resposta clínica do paciente.

Perguntas Frequentes

Quando se deve suspeitar de candidemia em um paciente internado?

Deve-se suspeitar de candidemia em pacientes com febre persistente sem foco bacteriano claro, especialmente aqueles com fatores de risco como uso de cateter venoso central, nutrição parenteral total, uso prévio de antibióticos de amplo espectro, imunossupressão ou cirurgia abdominal recente.

Por que a micafungina é uma boa opção para tratamento empírico de candidemia?

A micafungina, uma equinocandina, é uma excelente opção empírica porque tem alta eficácia contra a maioria das espécies de *Candida*, incluindo *C. glabrata* e *C. krusei*, que frequentemente são resistentes ao fluconazol, e apresenta bom perfil de segurança e poucas interações medicamentosas.

Em que situação o fluconazol pode ser utilizado no tratamento da candidemia?

O fluconazol pode ser utilizado para tratamento definitivo da candidemia se a espécie identificada for *Candida albicans* ou *Candida tropicalis* e for sensível ao fluconazol, ou como terapia de descalonamento após melhora clínica com equinocandina, especialmente em casos de menor gravidade.

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