MedEvo Simulado — Prova 2026
Uma paciente de 23 anos, nuligesta, procura atendimento médico queixando-se de feridas na região vulvar extremamente dolorosas, que surgiram há cerca de 4 dias. Relata que as lesões começaram como pequenas pápulas que rapidamente evoluíram para feridas abertas. Ao exame físico, o ginecologista observa duas úlceras de aproximadamente 1,5 cm localizadas nos grandes lábios, apresentando bordos irregulares e fundo recoberto por um exsudato necrótico amarelado, com odor fétido. A base das lesões é amolecida e, ao toque, a paciente refere dor intensa, notando-se sangramento fácil à manipulação. Na região inguinal esquerda, identifica-se uma tumefação ganglionar de 3,5 cm, dolorosa, com a pele sobrejacente avermelhada e brilhante, apresentando ponto de flutuação. A paciente refere ter tido um novo parceiro sexual há 10 dias, sem uso de métodos de barreira. Com base no quadro clínico apresentado, o diagnóstico mais provável é:
Úlcera dolorosa + fundo sujo + sangra fácil + bubo com fístula única → Cancroide.
O cancroide (cancro mole) caracteriza-se por úlceras múltiplas, dolorosas, de base amolecida e exsudato purulento, frequentemente associadas a linfadenopatia inguinal supurativa.
O cancroide é uma infecção bacteriana aguda causada pelo bacilo Gram-negativo Haemophilus ducreyi. Embora sua incidência tenha declinado em diversas regiões, continua sendo uma causa importante de úlceras genitais em países em desenvolvimento e em populações com baixo acesso a serviços de saúde. A patogenia envolve a invasão da pele através de microabrasões durante o ato sexual, levando à formação de pápulas que rapidamente evoluem para pústulas e úlceras. O diagnóstico é eminentemente clínico na maioria dos cenários, dada a dificuldade de cultivo do H. ducreyi, que exige meios de cultura especiais e condições rigorosas de incubação. O manejo sindrômico de úlceras genitais é frequentemente aplicado, cobrindo as principais causas (sífilis e cancroide) simultaneamente quando o diagnóstico clínico não é definitivo, visando interromper a cadeia de transmissão.
As úlceras do cancroide, causado pelo Haemophilus ducreyi, são tipicamente múltiplas (devido à autoinoculação), extremamente dolorosas e apresentam bordas irregulares com fundo recoberto por exsudato necrótico, amarelado ou acinzentado. Diferente da sífilis, a base da lesão é mole e sangra facilmente à manipulação. O odor fétido é comum devido à presença de infecções secundárias ou necrose tecidual.
No cancroide, o bubão inguinal é geralmente unilateral, doloroso e evolui para flutuação com ruptura espontânea através de um único orifício (fistulização). Já no linfogranuloma venéreo (LGV), causado pela Chlamydia trachomatis, a linfadenopatia é frequentemente acompanhada pelo 'sinal do sulco' (ligamento inguinal dividindo os gânglios) e pode fistulizar por múltiplos orifícios (aspecto de 'regador').
O tratamento preconizado pelo Ministério da Saúde do Brasil envolve o uso de Azitromicina 1g, via oral, em dose única. Alternativas incluem a Ceftriaxona 250mg, intramuscular, também em dose única. É fundamental tratar os parceiros sexuais dos últimos 60 dias e realizar o rastreio para outras ISTs, especialmente HIV e sífilis, devido à quebra da barreira cutânea que facilita a transmissão viral.
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