ENARE/ENAMED — Prova 2025
Um adolescente de 16 anos, masculino, sexualmente ativo com a namorada, apresenta duas lesões ulceradas, dolorosas, com bordos irregulares e eritemato edematosas, cobertas por Exsudato amarelado e de odor fétido, localizadas no sulco bálano prepucial: as lesões sangram facilmente. Há presença de linfadenomegalia inguino-crural dolorosa à direita. Em consulta com o hebiatra, foi medicado com dose única de 1 g de azitromicina. Em relação à atividade sexual do casal, o paciente deve ser informado de que:
Cancro mole (H. ducreyi) = Úlcera dolorosa + exsudato fétido + linfadenopatia. Abstinência por 7-14 dias após tratamento.
O tratamento do cancro mole com azitromicina requer tempo para cicatrização e eliminação da transmissibilidade; a relação sexual deve ser evitada até a resolução completa.
O cancro mole é uma IST clássica que, embora menos comum que a sífilis em certas regiões, apresenta alta morbidade local devido à dor intensa. O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado nas características da úlcera e na presença de linfadenopatia dolorosa. O tratamento de escolha pelo Ministério da Saúde é a Azitromicina 1g VO em dose única, ou Ceftriaxona 250mg IM. A orientação sobre o comportamento sexual é parte integrante do tratamento, visando não apenas a cura individual, mas o controle epidemiológico das infecções sexualmente transmissíveis.
O cancro mole é causado pela bactéria Gram-negativa Haemophilus ducreyi. Clinicamente, manifesta-se por úlceras genitais múltiplas (frequentemente), extremamente dolorosas, com bordas irregulares e fundo purulento/exsudativo amarelado. Diferente do cancro duro (sífilis), as lesões são moles ao toque e sangram facilmente à manipulação. É comum a associação com linfadenomegalia inguinal unilateral (bubão), que pode flutuar e fistulizar por um único orifício se não tratada precocemente.
Embora a azitromicina em dose única (1g) seja altamente eficaz, a cura bacteriológica e a cicatrização tecidual não são instantâneas. O paciente permanece potencialmente infectante enquanto as úlceras estiverem abertas. O período de 7 a 14 dias (1 a 2 semanas) é o tempo estimado para que a carga bacteriana seja eliminada e o epitélio se recupere, minimizando o risco de transmissão para a parceria e prevenindo a reinfecção, além de evitar o trauma mecânico sobre a lesão em cicatrização.
Todas as parcerias sexuais dos últimos 60 dias devem ser examinadas e tratadas, mesmo que estejam assintomáticas. O tratamento empírico das parcerias é fundamental para quebrar a cadeia de transmissão das ISTs. Além disso, o diagnóstico de uma IST como o cancro mole exige a triagem para outras infecções, incluindo HIV, Sífilis, Hepatite B e C, devido à vulnerabilidade compartilhada e ao fato de úlceras genitais facilitarem a entrada do vírus HIV.
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