SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2026
Mulher, 29 anos, HIV negativa, comparece ao pronto atendimento com úlceras genitais dolorosas, múltiplas, de bordas irregulares, fundo necrótico, associadas à adenopatia inguinal dolorosa e supurativa. Relata início dos sintomas há 6 dias após relação sexual desprotegida com novo parceiro. Considerando a fisiopatologia, a apresentação clínica e as principais IST ulcerativas, qual é a conduta diagnóstica e terapêutica mais adequada para o caso?
Úlcera múltipla dolorosa + fundo sujo + adenopatia supurativa (fístula única) = Cancro mole.
O cancro mole é causado pelo Haemophilus ducreyi, caracterizando-se por lesões dolorosas e purulentas. O tratamento de escolha envolve macrolídeos como a azitromicina em dose única.
O cancro mole, ou cancroide, é uma infecção sexualmente transmissível (IST) de alta prevalência em países em desenvolvimento. Clinicamente, manifesta-se após um período de incubação de 3 a 10 dias como pápulas que rapidamente evoluem para úlceras dolorosas, friáveis e com exsudato necrótico. A linfadenopatia inguinal ocorre em cerca de 50% dos casos, sendo tipicamente unilateral e com tendência à flutuação e drenagem espontânea (bubão). O diagnóstico é eminentemente clínico na prática de pronto atendimento, dada a dificuldade de cultivo do H. ducreyi em meios comuns. O manejo sindrômico é frequentemente aplicado, cobrindo as principais causas de úlceras genitais dolorosas.
O agente causador é o Haemophilus ducreyi, um bacilo gram-negativo facultativo. A transmissão ocorre predominantemente por via sexual, e a infecção facilita a transmissão do HIV devido à quebra da barreira cutânea e recrutamento de células inflamatórias para a região genital.
O herpes genital geralmente inicia com vesículas agrupadas sobre base eritematosa que evoluem para pequenas úlceras rasas e limpas, frequentemente recorrentes. O cancro mole apresenta úlceras mais profundas, com exsudato purulento (fundo sujo) e bordas irregulares, além de adenopatia inguinal que tende à supuração por orifício único.
De acordo com o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde, o tratamento de escolha é a Azitromicina 1g, por via oral, em dose única. Alternativas incluem Ceftriaxona 250mg IM (dose única) ou Ciprofloxacino 500mg VO 12/12h por 3 dias (contraindicado em gestantes).
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