Cancro Mole: Diagnóstico e Tratamento de Úlceras Genitais

SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2026

Enunciado

Mulher, 29 anos, HIV negativa, comparece ao pronto atendimento com úlceras genitais dolorosas, múltiplas, de bordas irregulares, fundo necrótico, associadas à adenopatia inguinal dolorosa e supurativa. Relata início dos sintomas há 6 dias após relação sexual desprotegida com novo parceiro. Considerando a fisiopatologia, a apresentação clínica e as principais IST ulcerativas, qual é a conduta diagnóstica e terapêutica mais adequada para o caso?

Alternativas

  1. A) Iniciar tratamento empírico para sífilis primária com penicilina benzatina, pois a presença de úlcera genital é altamente sugestiva de Treponema pallidum.
  2. B) Solicitar sorologias para HIV e sífilis, e iniciar empiricamente aciclovir oral, pois a apresentação clínica sugere herpes genital.
  3. C) Realizar punção da adenopatia inguinal para cultura e iniciar empiricamente ceftriaxona, pois o quadro é mais compatível com linfogranuloma venéreo.
  4. D) Iniciar empiricamente azitromicina 1 g VO dose única ou ciprofloxacino, pois a apresentação clínica é sugestiva de cancroide por Haemophilus ducreyi.
  5. E) Manter conduta expectante, apenas coletando exames laboratoriais confirmatórios, já que o tratamento precoce pode mascarar o diagnóstico definitivo.

Pérola Clínica

Úlcera múltipla dolorosa + fundo sujo + adenopatia supurativa (fístula única) = Cancro mole.

Resumo-Chave

O cancro mole é causado pelo Haemophilus ducreyi, caracterizando-se por lesões dolorosas e purulentas. O tratamento de escolha envolve macrolídeos como a azitromicina em dose única.

Contexto Educacional

O cancro mole, ou cancroide, é uma infecção sexualmente transmissível (IST) de alta prevalência em países em desenvolvimento. Clinicamente, manifesta-se após um período de incubação de 3 a 10 dias como pápulas que rapidamente evoluem para úlceras dolorosas, friáveis e com exsudato necrótico. A linfadenopatia inguinal ocorre em cerca de 50% dos casos, sendo tipicamente unilateral e com tendência à flutuação e drenagem espontânea (bubão). O diagnóstico é eminentemente clínico na prática de pronto atendimento, dada a dificuldade de cultivo do H. ducreyi em meios comuns. O manejo sindrômico é frequentemente aplicado, cobrindo as principais causas de úlceras genitais dolorosas.

Perguntas Frequentes

Qual o agente etiológico do cancro mole?

O agente causador é o Haemophilus ducreyi, um bacilo gram-negativo facultativo. A transmissão ocorre predominantemente por via sexual, e a infecção facilita a transmissão do HIV devido à quebra da barreira cutânea e recrutamento de células inflamatórias para a região genital.

Como diferenciar cancro mole de herpes genital?

O herpes genital geralmente inicia com vesículas agrupadas sobre base eritematosa que evoluem para pequenas úlceras rasas e limpas, frequentemente recorrentes. O cancro mole apresenta úlceras mais profundas, com exsudato purulento (fundo sujo) e bordas irregulares, além de adenopatia inguinal que tende à supuração por orifício único.

Qual o tratamento de primeira linha para cancro mole?

De acordo com o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde, o tratamento de escolha é a Azitromicina 1g, por via oral, em dose única. Alternativas incluem Ceftriaxona 250mg IM (dose única) ou Ciprofloxacino 500mg VO 12/12h por 3 dias (contraindicado em gestantes).

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