Cancro Mole: Diagnóstico e Conduta Terapêutica

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Naiara, 22 anos, nuligesta, procura a unidade de pronto atendimento com queixa de múltiplas lesões dolorosas na região vulvar há 6 dias. Relata que as feridas "soltam um líquido amarelado" e que sente uma íngua dolorosa na virilha esquerda. Nega febre ou sintomas urinários. Ao exame físico, observam-se quatro úlceras em região de fúrcula e grandes lábios, com bordas irregulares, fundo purulento e extremamente dolorosas à manipulação. Apresenta linfadenopatia inguinal unilateral à esquerda, com 3 cm de diâmetro, flutuação e sinais de flogose cutânea. Os resultados dos exames coletados na admissão estão apresentados na tabela abaixo: | Exame | Resultado | | :--- | :--- | | Teste Rápido para Sífilis | Não Reagente | | Sorologia HIV (ELISA) | Negativo | | Bacterioscopia (Gram) da secreção | Cocobacilos Gram-negativos em arranjo de "cardume" | | Pesquisa de Campo Escuro | Negativa | Com base no quadro clínico e laboratorial, o diagnóstico e o tratamento de escolha são:

Alternativas

  1. A) Linfogranuloma venéreo; Doxiciclina 100mg, via oral, 12/12h por 21 dias.
  2. B) Herpes genital; Aciclovir 400mg, via oral, 3 vezes ao dia por 7 a 10 dias.
  3. C) Cancro mole; Azitromicina 1g, via oral, dose única.
  4. D) Sífilis primária; Penicilina G benzatina 2,4 milhões UI, intramuscular, dose única.

Pérola Clínica

Cancro mole = Úlcera dolorosa/suja + Cocobacilos em 'cardume' + Bubo que fistuliza por orifício único.

Resumo-Chave

O cancro mole apresenta úlceras múltiplas, dolorosas e de fundo purulento, frequentemente acompanhadas de linfadenopatia inguinal supurativa (bubo).

Contexto Educacional

O cancro mole é uma infecção sexualmente transmissível aguda, mais prevalente em regiões tropicais. A patogênese envolve a penetração do H. ducreyi através de microabrasões na pele ou mucosa durante o ato sexual, levando à formação de pápulas que evoluem rapidamente para úlceras dolorosas. A linfadenopatia inguinal ocorre em cerca de 50% dos casos, evoluindo para a formação de um bubão que, se não tratado, sofre liquefação e fistulização espontânea, tipicamente através de um único orifício. O diagnóstico diferencial deve sempre incluir sífilis, herpes simples e linfogranuloma venéreo, sendo comum a coinfecção com HIV.

Perguntas Frequentes

Qual o agente etiológico e o achado bacterioscópico do cancro mole?

O agente é o Haemophilus ducreyi, um cocobacilo Gram-negativo. Na bacterioscopia pelo método de Gram, observa-se o arranjo característico em 'cardume de peixes' ou 'trilho de trem'.

Como diferenciar a úlcera do cancro mole da sífilis primária?

O cancro mole (H. ducreyi) causa úlceras múltiplas, extremamente dolorosas, com bordas irregulares e fundo purulento (sujo). A sífilis (cancro duro) geralmente apresenta úlcera única, indolor, com bordas elevadas e fundo limpo.

Qual o tratamento preconizado pelo Ministério da Saúde para cancro mole?

O tratamento de primeira escolha é a Azitromicina 1g, via oral, em dose única. Alternativas incluem Ceftriaxona 250mg IM (dose única) ou Ciprofloxacino 500mg VO 12/12h por 3 dias (exceto em gestantes).

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