Cancro Mole: Diagnóstico e Conduta em Úlceras Vulvares

UnB/HUB - Hospital Universitário de Brasília (DF) — Prova 2020

Enunciado

Uma paciente de vinte e cinco anos de idade consultou-se com ginecologista por apresentar lesão vulvar que, segundo ela, havia surgido cerca de seis dias após uma relação sexual desprotegida. No exame físico, ela apresentava lesão ulcerada localizada na face interna dos grandes lábios, dolorosa, sangrante, com bordas irregulares, eritematosas, com fundo purulento e de odor fétido. Considerando o precedente caso clínico, julgue o item subsecutivo. O debridamento cirúrgico de úlceras vulvares de origem infecciosa melhora a eficácia do tratamento antimicrobiano.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

Úlcera dolorosa + fundo purulento + adenopatia com fístula única → Cancro Mole.

Resumo-Chave

O tratamento do cancro mole é eminentemente medicamentoso (Azitromicina 1g VO dose única). O debridamento cirúrgico é contraindicado, pois causa disseminação e retarda a cicatrização.

Contexto Educacional

O cancro mole representa uma das principais causas de úlceras genitais em países em desenvolvimento. A fisiopatologia envolve a invasão da barreira cutânea pelo H. ducreyi, gerando uma resposta inflamatória intensa com formação de pústulas que evoluem para úlceras dolorosas. O manejo adequado foca na interrupção da cadeia de transmissão e cura clínica. A abordagem sindrômica é frequentemente utilizada no Brasil, tratando simultaneamente cancro mole e sífilis em casos de úlceras genitais, dada a dificuldade laboratorial de isolamento do agente.

Perguntas Frequentes

Qual o agente etiológico do cancro mole?

O cancro mole é causado pelo Haemophilus ducreyi, um bacilo gram-negativo. Clinicamente, caracteriza-se por úlceras múltiplas, dolorosas, com fundo purulento e bordas irregulares. Diferencia-se do cancro duro (sífilis) principalmente pela dor intensa e pela consistência amolecida da lesão. O diagnóstico é clínico-epidemiológico, e o tratamento de escolha envolve antibióticos como azitromicina ou ceftriaxone.

Por que não realizar debridamento em úlceras infecciosas?

O debridamento cirúrgico em úlceras genitais de etiologia infecciosa, como no cancro mole, não é recomendado porque a manipulação agressiva do tecido inflamado pode facilitar a disseminação bacteriana e causar trauma adicional, retardando a reepitelização. A limpeza deve ser suave, apenas com soro fisiológico, focando a resolução na erradicação do patógeno via antibioticoterapia sistêmica.

Como manejar o bubão inguinal no cancro mole?

O bubão inguinal, que ocorre em cerca de 50% dos casos, pode evoluir para flutuação e fistulização por orifício único. Se houver flutuação e risco de ruptura espontânea, a conduta correta é a aspiração com agulha calibrosa (punção), e nunca a incisão cirúrgica ou debridamento, para evitar a formação de úlceras crônicas e fístulas de difícil cicatrização.

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