Cancro Mole: Diagnóstico e Manejo de Úlceras Genitais

HSR Cássia - Hospital São Sebastião de Cássia (MG) — Prova 2024

Enunciado

Paciente, 28 anos, nuligesta, avaliada no centro de saúde, com quadro de úlceras genitais múltiplas, dolorosas, com fundo recoberto por exsudato necrótico, amarelado, com odor fétido. Nega episódios prévios semelhantes. Sobre o provável diagnóstico e conduta adequada, é CORRETO afirmar que:

Alternativas

  1. A) O diagnóstico mais provável é de herpes genital e o tratamento deve ser realizado com aciclovir 200 mg, 2 comprimidos 8/8h por 7 dias.
  2. B) O diagnóstico mais provável é de cancro mole e o diagnóstico é realizado por macroscopia de campo escuro.
  3. C) O diagnóstico diferencial é feito com cancro duro (sífilis primária), cancro mole, herpes genital, linfogranuloma venéreo e donovanose e para início de tratamento deve ser indicada biópsia da lesão.
  4. D) As lesões são provocadas por Haemophilus ducreyi e podem evoluir com formação de bubão, quando atingem Iinfonodos inguino-crurais.

Pérola Clínica

Úlceras genitais múltiplas, dolorosas, fundo necrótico + bubão → Cancro mole (Haemophilus ducreyi).

Resumo-Chave

O quadro clínico de úlceras genitais múltiplas, dolorosas, com fundo necrótico e exsudato fétido, associado à possibilidade de bubão inguinal, é altamente sugestivo de cancro mole, causado pelo Haemophilus ducreyi.

Contexto Educacional

As úlceras genitais são uma manifestação comum de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e exigem um diagnóstico diferencial preciso para o tratamento adequado. O cancro mole, causado pela bactéria Haemophilus ducreyi, é uma das principais etiologias de úlceras genitais dolorosas. Clinicamente, o cancro mole se caracteriza por úlceras múltiplas, dolorosas, com bordas irregulares e fundo recoberto por exsudato purulento ou necrótico, muitas vezes com odor fétido. Diferencia-se do cancro duro da sífilis (geralmente único, indolor, com bordas elevadas e fundo limpo) e do herpes genital (lesões vesiculosas que evoluem para úlceras superficiais e dolorosas, frequentemente recorrentes). Uma complicação comum do cancro mole é a linfadenopatia inguinal unilateral ou bilateral, que pode progredir para a formação de bubões (linfonodos supurados) que podem fistulizar. O diagnóstico é clínico, e o tratamento é feito com antibióticos como azitromicina ou ceftriaxona. É crucial tratar o paciente e seus parceiros sexuais, além de investigar outras ISTs.

Perguntas Frequentes

Quais são as características clínicas do cancro mole?

O cancro mole se manifesta como úlceras genitais múltiplas, dolorosas, com bordas irregulares e fundo recoberto por exsudato necrótico amarelado e fétido. Pode haver linfadenopatia inguinal dolorosa que pode fistulizar (bubão).

Como é feito o diagnóstico de cancro mole?

O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado nas características das lesões. Pode ser confirmado por cultura de Haemophilus ducreyi ou PCR, mas geralmente o tratamento empírico é iniciado devido à dificuldade de cultura.

Qual o tratamento recomendado para o cancro mole?

O tratamento envolve antibióticos como azitromicina (dose única), ceftriaxona (dose única), ciprofloxacino ou eritromicina. A drenagem de bubões flutuantes pode ser necessária para alívio da dor e prevenção de fistulização.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo