UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2025
Mulher de 55 anos recebeu resultado de exame de imagem indicando espessamento irregular de parede da vesícula biliar, com lesão vegetante no interior e ausência de outros achados relevantes. É então submetida à colecistectomia por laparotomia com congelação, que identifica lesão neoplásica. O tumor invade o tecido conjuntivo perimuscular da parede da vesícula, sem extensão além da serosa ou para o fígado. O ducto cístico está com margens livres. A melhor conduta para o caso é realizar:
Câncer de vesícula T2 → Colecistectomia + Hepatectomia (IVb/V) + Linfadenectomia hilar.
Tumores de vesícula biliar estádio T2 (invasão do tecido conjuntivo perimuscular) exigem ressecção radical com margem hepática e linfadenectomia portal para sobrevida adequada.
O câncer de vesícula biliar é uma neoplasia agressiva, frequentemente diagnosticada de forma incidental após colecistectomias por colelitíase. O estadiamento T2 é o divisor de águas para a indicação de reintervenção radical. A cirurgia consiste na 'colecistectomia radical' ou 'estendida'. A linfadenectomia é crucial, pois cerca de 30-50% dos pacientes T2 apresentam metástases linfonodais ocultas. A hepatectomia segmentar (IVb e V) ou uma ressecção em cunha de 2-3 cm do leito hepático são opções aceitáveis, desde que garantam margens R0. O papel da quimioterapia adjuvante (geralmente com Capecitabina baseada no estudo BILCAP) é hoje o padrão após a ressecção cirúrgica.
No estádio T2, o tumor invade o tecido conjuntivo perimuscular. Devido à ausência de serosa na face da vesícula voltada para o fígado e à rica drenagem linfática e venosa direta para o parênquima hepático (segmentos IVb e V), a colecistectomia simples é insuficiente. A ressecção em bloco do leito hepático garante margens negativas e trata micrometástases locais.
A linfadenectomia padrão para o câncer de vesícula biliar deve incluir os linfonodos do hilo hepático (estação 12), linfonodos pancreatoduodenais posteriores e celíacos direitos. A presença de metástases linfonodais é um dos preditores prognósticos mais importantes nesta patologia.
Para tumores T1a (restritos à mucosa), a colecistectomia simples com margens livres é considerada tratamento definitivo, apresentando excelentes taxas de sobrevida em 5 anos. A partir do estádio T1b (invasão da camada muscular), a conduta radical (colecistectomia estendida) passa a ser discutida ou indicada.
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