HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2024
Mulher, 65 anos, apresenta colelitíase sintomática. Exames laboratoriais são normais. Traz ultrassonografia de abdómen total: vesícula biliar com múltiplos cálculos de diversos tamanhos, paredes pouco espessadas e hepatocolédoco de diâmetro normal. Foi submetida à colecistectomia videolaparoscopia e apresenta boa evolução pós- operatória. O exame anátomo-patológico da peça cirúrgica demonstrou neoplasia epitelial maligna em nível de mucosa com invasão até a lâmina própria, sem invadir a camada muscular e ausência de linfonodos comprometidos. Em relação ao caso, afirma- se:I. Está indicada realização de tomografia computadorizada de abdómen total no pós- operatório.II. O acometimento descrito coloca o caso, em relação à invasão tumoral, em estágio T2a.III. O resultado do exame anátomo-patológico permite que a conduta seja restrita à quimioterapia, sem necessidade de nova intervenção cirúrgica. Está/Estão correta(s) apenas a(s) afirmativa(s)
Câncer de vesícula biliar T1b (invasão lâmina própria) → necessita reestadiamento e reoperação pós-colecistectomia simples.
A questão descreve um câncer de vesícula biliar T1b (invasão da lâmina própria, sem invadir a muscular). Para este estágio, a colecistectomia simples é insuficiente e exige reestadiamento e, geralmente, reoperação com ressecção hepática e linfadenectomia, o que justifica a TC de abdome total no pós-operatório para avaliar extensão.
O câncer de vesícula biliar é uma neoplasia agressiva, frequentemente diagnosticada em estágios avançados devido à inespecificidade dos sintomas e à localização anatômica. A colelitíase é um fator de risco importante, e muitos casos são descobertos incidentalmente após colecistectomia por doença benigna. A importância clínica reside na necessidade de um manejo oncológico adequado, que difere significativamente dependendo do estágio da doença. O estadiamento TNM é fundamental para guiar a conduta. No caso descrito, a invasão até a lâmina própria, sem invadir a camada muscular, corresponde ao estágio T1b. Para tumores T1b, a colecistectomia simples é considerada inadequada, sendo necessária uma reoperação com ressecção hepática segmentar (segmentos IVb e V) e linfadenectomia regional. A tomografia computadorizada de abdome total no pós-operatório é essencial para reestadiamento e planejamento da cirurgia complementar. A conduta para T1b e estágios mais avançados (T2, T3) geralmente envolve cirurgia radical. A quimioterapia adjuvante pode ser considerada em alguns casos, mas não substitui a necessidade de ressecção cirúrgica adequada para controle locorregional da doença. O prognóstico está diretamente relacionado ao estágio no momento do diagnóstico e à radicalidade da ressecção.
O estadiamento T (tumor) é crucial para determinar a profundidade da invasão tumoral na parede da vesícula biliar, o que define a extensão da ressecção cirúrgica necessária e o prognóstico do paciente.
A tomografia é indicada para reestadiamento e planejamento de uma possível reoperação em casos onde a colecistectomia inicial foi simples e o estadiamento patológico revela invasão além da mucosa (T1b ou superior).
T1b refere-se à invasão da lâmina própria, enquanto T2a indica invasão da camada muscular. Ambos os estágios geralmente requerem uma ressecção mais extensa do que uma colecistectomia simples.
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