UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2024
O câncer de tireoide acomete indivíduos de qualquer sexo e faixa etária. As mulheres representam cerca de 75% dos casos e, em adultos jovens, é a neoplasia maligna mais comum. A incidência global aumentou nos últimos 40 anos, principalmente o diagnóstico dos microcarcinomas. A PROVÁVEL JUSTIFICATIVA DO AUMENTO DE DIAGNÓSTICOS É:
↑ incidência câncer tireoide (microcarcinomas) = ↑ detecção incidental por exames de imagem.
O aumento na incidência de câncer de tireoide, especialmente dos microcarcinomas, é amplamente atribuído ao sobrediagnóstico. Isso se deve à maior disponibilidade e uso de exames de imagem de alta resolução (como ultrassonografia de pescoço) realizados por outras indicações, que incidentalmente detectam nódulos tireoidianos pequenos e assintomáticos.
O câncer de tireoide é a neoplasia endócrina mais comum, com uma incidência global que tem aumentado significativamente nas últimas décadas, especialmente em mulheres jovens. Este aumento tem sido predominantemente às custas do diagnóstico de microcarcinomas, que são tumores pequenos (geralmente < 1 cm) e muitas vezes indolentes. A compreensão da justificativa para esse fenômeno é crucial para a prática clínica e para a saúde pública. A principal razão para o aumento observado na incidência de câncer de tireoide é o sobrediagnóstico. Com a maior disponibilidade e o uso mais frequente de exames de imagem de alta resolução, como a ultrassonografia de pescoço, tomografia computadorizada e ressonância magnética, realizados por diversas outras indicações clínicas, há uma detecção incidental de nódulos tireoidianos cada vez maior. Muitos desses nódulos, quando investigados, revelam-se microcarcinomas papilíferos de tireoide, que possuem um excelente prognóstico e, em muitos casos, não progrediriam clinicamente ao longo da vida do paciente. Este cenário levanta importantes discussões sobre a conduta em relação aos microcarcinomas, com a crescente adoção da vigilância ativa como alternativa à cirurgia imediata em casos selecionados. É fundamental que os profissionais de saúde estejam cientes de que o aumento da incidência não reflete necessariamente um aumento na "doença real" ou na mortalidade, mas sim uma maior capacidade de detecção de lesões que, historicamente, passariam despercebidas.
Sobrediagnóstico refere-se à detecção de cânceres que nunca causariam sintomas ou levariam à morte do paciente, se não fossem descobertos. No câncer de tireoide, isso ocorre com a identificação de microcarcinomas indolentes.
A ultrassonografia de pescoço, que se tornou um exame de rotina e é frequentemente realizada por outras indicações, é o principal método que tem levado à detecção incidental de nódulos tireoidianos, muitos deles microcarcinomas.
Não necessariamente. Apesar do aumento na incidência, a mortalidade por câncer de tireoide permaneceu estável ou até diminuiu em algumas regiões, sugerindo que muitos dos casos detectados são de tumores de baixo risco que não progrediriam clinicamente.
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