HAS - Hospital Adventista Silvestre (RJ) — Prova 2021
Paciente 63 anos, diabético e hipertenso, comparece em consulta referindo quadro de alteração do hábito intestinal há 6 meses, associada a hematoquezia e perda ponderal de 5 kg no último mês. Ao exame: Eutrófico, levemente hipocorado, eupneico, afebril. PS 2. Exame abdominal sem alterações. Toque retal evidenciou tumoração a 7 cm da margem anal, pérvia à polpa digital, semifixa, circunferencial, de comprimento não mensurável ao toque. Ressonância de abdome inferior mostra espessamento irregular de reto, em toda circunferência do órgão, acometendo gordura mesorretal, com presença de linfonodo em cadeia mesorretal com aspecto tumoral. Tomografia computadorizada de abdome superior e tórax não evidenciam metástases à distância. Colonoscopia completa evidenciou pólipos em cólon ascendente (ressecados com alça diatérmica) assim como lesão úlcerovegetante se iniciando a 6 cm da margem anal, medindo aprox. 5 cm, acometendo toda a circunferência da parede, e aprox. 70% da luz do reto. Biópsia: Adenocarcinoma moderadamente diferenciado. CEA sérico de 12 ng/mL. Sobre o caso, marque a questão que evidencia a topografia do epicentro tumoral, assim como seu tratamento baseado nos protocolos atuais.
Câncer de reto médio com linfonodo suspeito → Quimiorradioterapia neoadjuvante + excisão total do mesorreto.
O estadiamento local do câncer de reto é crucial para definir a estratégia terapêutica. A presença de invasão da gordura mesorretal e linfonodos suspeitos indica doença localmente avançada, justificando a terapia neoadjuvante para downstaging e melhora dos resultados cirúrgicos.
O câncer de reto é uma neoplasia maligna que afeta a porção final do intestino grosso, com incidência crescente. A localização do tumor em relação à margem anal é crucial para o planejamento terapêutico, diferenciando o reto alto do reto médio e baixo, que possuem abordagens distintas devido à anatomia pélvica e risco de recidiva local. O diagnóstico envolve colonoscopia com biópsia, exames de imagem como ressonância magnética de pelve para estadiamento local e tomografia de tórax e abdome para estadiamento sistêmico. Marcadores tumorais como o CEA são importantes para monitoramento. A presença de invasão mesorretal ou linfonodos suspeitos indica doença localmente avançada. Para tumores de reto médio e baixo localmente avançados, a quimiorradioterapia neoadjuvante é o padrão ouro, seguida de cirurgia (excisão total do mesorreto) e, em alguns casos, quimioterapia adjuvante. A ileostomia de proteção é frequentemente realizada para reduzir complicações anastomóticas. O objetivo é a cura, com controle local e sistêmico da doença.
Sinais de alerta incluem alteração do hábito intestinal persistente, hematoquezia, perda ponderal inexplicada, dor abdominal e anemia. A presença de qualquer um desses sintomas deve levar à investigação médica.
A quimiorradioterapia neoadjuvante visa reduzir o tamanho do tumor (downstaging), esterilizar linfonodos e diminuir o risco de recidiva local, facilitando a cirurgia e preservando o esfíncter em alguns casos, melhorando os resultados oncológicos.
A topografia é definida pela distância do epicentro tumoral à margem anal. Reto baixo: < 5 cm; Reto médio: 5-10 cm; Reto alto: > 10 cm, até a transição retossigmoide. Essa classificação guia a estratégia terapêutica.
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