Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2024
Homem, 58 anos, hígido, diagnosticado com neoplasia de reto médio, foi submetido a neoadjuvância. Após término de tal terapia, foi agendada sua cirurgia, qual procedimento deverá ser realizado?
Câncer reto médio pós-neoadjuvância → Retossigmoidectomia + anastomose colorretal + ileostomia de proteção.
Após neoadjuvância (quimiorradioterapia) para câncer de reto médio, a cirurgia padrão é a retossigmoidectomia com anastomose colorretal. A ileostomia de proteção é crucial para desviar o trânsito fecal, minimizando a gravidade de uma potencial deiscência da anastomose, que é mais comum em tecidos irradiados.
O câncer de reto médio é uma neoplasia maligna que exige uma abordagem multidisciplinar, frequentemente incluindo terapia neoadjuvante antes da cirurgia definitiva. A neoadjuvância, geralmente quimiorradioterapia, visa reduzir o tamanho do tumor, diminuir o risco de recidiva local e aumentar a chance de ressecção completa (R0). A decisão pelo tipo de cirurgia e a necessidade de derivação intestinal são pontos cruciais no planejamento. Após a neoadjuvância, o procedimento cirúrgico mais comum para tumores de reto médio é a retossigmoidectomia com anastomose colorretal. A principal preocupação pós-operatória é a deiscência da anastomose, que pode levar a complicações graves como peritonite, sepse e necessidade de reintervenção. A irradiação prévia dos tecidos aumenta o risco de deiscência devido à menor vascularização e cicatrização comprometida. Para mitigar os riscos de deiscência, a criação de uma ileostomia de proteção (ou colostomia) é frequentemente indicada. Esta derivação temporária desvia o fluxo fecal, permitindo que a anastomose cicatrize em um ambiente mais "limpo". É fundamental entender que a ileostomia não previne a deiscência em si, mas sim minimiza a gravidade das suas consequências, transformando uma potencial peritonite fecal em uma fístula controlada, o que melhora significativamente o prognóstico do paciente.
A neoadjuvância (quimiorradioterapia pré-operatória) é utilizada para reduzir o tamanho do tumor, esterilizar margens, diminuir o risco de recidiva local e aumentar a taxa de ressecção R0, especialmente em tumores de reto médio e inferior.
A ileostomia de proteção desvia o trânsito intestinal, protegendo a anastomose colorretal distal. Embora não previna a deiscência, ela reduz a gravidade das suas consequências, como peritonite fecal, ao evitar a contaminação da cavidade abdominal.
Fatores de risco incluem irradiação prévia do tecido (neoadjuvância), anastomose baixa, desnutrição, comorbidades do paciente, técnica cirúrgica e tensão na linha de sutura.
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