Tratamento do Câncer de Reto Localmente Avançado

IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher, de 72 anos de idade, previamente hígida, em investigação ambulatorial de alteração do hábito intestinal. Realizou colonoscopia completa, com presença de lesão ulcerada a 4cm da borda anal, acometendo 50% da circunferência do reto, transponível ao aparelho, se estendendo por mais 3cm cranialmente, sem demais lesões no restante do cólon. A biópsia da lesão revelou adenocarcinoma moderadamente diferenciado. Realizou exames de estadiamento, sem evidências de metástases à distância, com a presença de dois linfonodos regionais suspeitos para acometimento secundário. O tratamento recomendado para esta paciente, neste momento, é:

Alternativas

  1. A) Quimioterapia e radioterapia exclusivas, protocolo Nigro.
  2. B) Retossigmoidectomia com anastomose primária.
  3. C) Amputação abdominoperineal do reto, com colostomia definitiva.
  4. D) Quimioterapia e radioterapia neoadjuvantes.

Pérola Clínica

Câncer de reto médio/distal c/ linfonodo suspeito (N+) → Neoadjuvância (QT/RT) mandatória.

Resumo-Chave

Pacientes com câncer de reto extraperitoneal localmente avançado (T3/T4 ou N+) devem receber terapia neoadjuvante para reduzir recidiva local e permitir cirurgias preservadoras.

Contexto Educacional

O tratamento do câncer de reto evoluiu para a abordagem multimodal. Em tumores localizados no reto médio ou inferior (abaixo da reflexão peritoneal) que apresentam invasão da gordura perirretal (T3/T4) ou presença de linfonodos suspeitos (N+), a quimiorradioterapia neoadjuvante é o padrão ouro. O objetivo é o 'downstaging' e 'downsizing' tumoral, o que não apenas facilita a ressecção cirúrgica com margens livres, mas também aumenta as chances de preservação do esfíncter anal em lesões baixas. Atualmente, discute-se também o 'Total Neoadjuvant Therapy' (TNT) para otimizar o controle sistêmico precoce.

Perguntas Frequentes

Por que fazer neoadjuvância no reto?

A neoadjuvância reduz o volume tumoral, aumenta a taxa de ressecção R0 e diminui significativamente a recidiva local em tumores T3/T4 ou N+. Além disso, pode permitir a preservação do esfíncter em tumores baixos que inicialmente exigiriam amputação abdominoperineal.

Qual a diferença do tratamento do reto para o cólon?

O reto extraperitoneal possui maior risco de recidiva local devido à anatomia pélvica estreita e ausência de serosa, exigindo RT/QT neoadjuvante em casos avançados, diferente do cólon, onde a cirurgia costuma ser a primeira etapa seguida de QT adjuvante se necessário.

O que define um linfonodo suspeito na RM de reto?

Tamanho maior que 5mm, bordas irregulares, sinal heterogêneo e formato arredondado são critérios radiológicos comuns para suspeita de metástase linfonodal no mesorreto, indicando a necessidade de tratamento neoadjuvante.

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