PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2025
Um homem de 60 anos apresenta sangramento retal, alteração nos hábitos intestinais e perda de peso não intencional. A colonoscopia revela uma tumoração ulcerada circunferencial no reto, localizada a 6cm da borda anal. Qual é o próximo passo do tratamento?
Câncer de reto extraperitoneal (≤ 10-12cm) → Neoadjuvância (QRT) + Cirurgia (ETM).
Tumores de reto médio e baixo localmente avançados exigem tratamento neoadjuvante com quimiorradioterapia para controle local antes da ressecção cirúrgica definitiva.
O câncer de reto requer uma abordagem multidisciplinar. O estadiamento preciso com Ressonância Magnética de alta resolução é fundamental para avaliar a fáscia mesoretal e o envolvimento linfonodal. Para tumores localizados a 6cm da borda anal (reto médio/baixo), a sequência clássica é QRT neoadjuvante, intervalo de 8-12 semanas e cirurgia com ETM. Atualmente, discute-se também o 'Total Neoadjuvant Therapy' (TNT) e a estratégia 'Watch and Wait' para respondedores clínicos completos.
O reto extraperitoneal (abaixo de 10-12 cm da borda anal) possui uma anatomia pélvica estreita, o que dificulta a obtenção de margens livres na cirurgia primária. A quimiorradioterapia (QRT) neoadjuvante reduz o volume tumoral (downsizing), aumenta a chance de preservação esfincteriana e, crucialmente, reduz as taxas de recorrência local de aproximadamente 25% para menos de 10%. É indicada para tumores cT3/T4 ou com linfonodos positivos (N+) ao estadiamento por RNM de pelve.
A ETM (ou TME - Total Mesorectal Excision) é o padrão-ouro cirúrgico para o tratamento do câncer de reto. Consiste na remoção completa do reto envolto por sua fáscia íntegra, contendo todo o tecido gorduroso, linfonodos e vasos sanguíneos (o mesorreto). A integridade do envelope mesoretal é o principal fator prognóstico cirúrgico para evitar a disseminação de células tumorais na pelve e garantir o controle oncológico.
A principal diferença reside na anatomia e no risco de recidiva. O câncer de cólon é intraperitoneal e o tratamento padrão é a cirurgia de upfront seguida de quimioterapia adjuvante se necessário. O câncer de reto, devido à localização pélvica e ausência de serosa em grande parte de sua extensão, tem maior risco de invasão de estruturas adjacentes e recidiva local, justificando o uso frequente de radioterapia e quimioterapia antes da cirurgia (neoadjuvância).
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