Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2022
Mulher, 68 anos de idade, apresentou hematoquezia há 3 meses e alteração do formato das fezes. Está evacuando a cada 2 dias, em uso de laxativos. Ao exame físico encontra- se em bom estado, sem alterações da propedêutica torácica e abdominal. Realizado toque retal com lesão a 7 cm da borda anal na parede lateral esquerda até a região anterior. Na colonoscopia foi evidenciada lesão ulcerada no reto a 7 cm da borda anal, com envolvimento de 50% da circunferência; demais segmentos do cólon e reto sem alterações. A biópsia confirmou adenocarcinoma. Realizada ressonância de pelve que evidenciou lesão do reto com envolvimento até serosa e dois nódulos de 1,5 cm no mesorreto. No estadiamento com tomografia de tórax e abdome, não se observou sinais de doença sistêmica. Qual é a melhor conduta para esta paciente?
Adenocarcinoma de reto médio/inferior T3N1 → Quimiorradioterapia neoadjuvante.
Em câncer de reto com envolvimento da serosa (T3) e linfonodos regionais (N1), a quimiorradioterapia neoadjuvante é a conduta padrão para reduzir o tumor, esterilizar margens e diminuir o risco de recidiva local antes da cirurgia.
O adenocarcinoma de reto representa uma parcela significativa dos cânceres colorretais, e seu manejo é complexo, exigindo uma abordagem multidisciplinar. A apresentação clínica pode incluir hematoquezia, alteração do hábito intestinal e tenesmo. O estadiamento preciso é fundamental para guiar a conduta terapêutica, e a ressonância magnética de pelve desempenha um papel crucial na avaliação da extensão local do tumor. Neste caso, a paciente apresenta um adenocarcinoma de reto a 7 cm da borda anal, com envolvimento até a serosa (T3) e dois nódulos no mesorreto (N1), sem doença sistêmica. Este cenário configura um câncer de reto localmente avançado. Para esses casos, a quimiorradioterapia neoadjuvante (pré-operatória) é a conduta padrão. A neoadjuvância tem como objetivos reduzir o tamanho do tumor, esterilizar os linfonodos regionais, diminuir o risco de recidiva local e aumentar a chance de uma ressecção cirúrgica completa (R0). Após a quimiorradioterapia, o paciente é reavaliado para a cirurgia, que geralmente envolve a ressecção total do mesorreto. A escolha da cirurgia (ressecção anterior baixa ou amputação abdominoperineal) dependerá da resposta tumoral e da distância da margem distal.
A RM de pelve é essencial para avaliar a profundidade da invasão tumoral (T), o envolvimento do mesorreto, a distância da margem de ressecção circunferencial e a presença de linfonodos suspeitos, guiando a decisão terapêutica.
É indicada para tumores de reto médio e inferior localmente avançados (T3/T4 ou N+) para reduzir o tamanho do tumor, diminuir o risco de recidiva local, aumentar a chance de ressecção R0 e, em alguns casos, permitir cirurgias menos invasivas.
As principais cirurgias incluem a ressecção anterior baixa (com ou sem anastomose colorretal), a amputação abdominoperineal (para tumores muito baixos) e, em casos selecionados, a excisão local transanal.
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