UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025
Homem de 55 anos, há 6 meses com queixa de hematoquezia, tenesmo e alteração do hábito intestinal. Toque retal: lesão endurecida a 7 cm da borda anal, não sendo possível avaliação da extensão e do acometimento circunferencial. Colonoscopia: lesão obstrutiva em reto médio a 8 cm da borda anal, não sendo possível a progressão do aparelho. Anatomopatológico: adenocarcinoma bem diferenciado. CEA, TC de tórax e TC de abdome: sem alterações. RNM de pelve: lesão em reto médio (T3a) a 7 cm do anel anorretal, sem comprometimento da fáscia mesorretal, 2 linfonodos perirretais acometidos, ausência de invasão vascular extramural, ausência de linfonodos pélvicos laterais. O principal exame que definiu a conduta foi:
RNM de Pelve = Exame padrão-ouro para definir invasão da fáscia mesorretal e conduta neoadjuvante no câncer de reto.
No câncer de reto, a Ressonância Magnética (RNM) de pelve é superior à TC para avaliar a profundidade da invasão tumoral (T) e o status linfonodal (N), definindo a necessidade de radioquimioterapia neoadjuvante.
O tratamento do câncer de reto evoluiu significativamente com a introdução da Excisão Total do Mesorreto (ETM). Para o sucesso dessa técnica, o estadiamento pré-operatório preciso é vital. A RNM de pelve permite identificar o 'fator de risco' mais importante: o comprometimento ou proximidade da margem de ressecção mesorretal (CRM). Neste caso clínico (T3a N1), a presença de linfonodos acometidos e a extensão tumoral indicam um estágio onde a neoadjuvância é frequentemente considerada, e essa decisão terapêutica foi sustentada pelos achados detalhados da Ressonância Magnética.
A RNM de pelve possui alta resolução para tecidos moles, permitindo visualizar com precisão a fáscia mesorretal, a profundidade de invasão além da muscular própria (subestágios T3) e a presença de linfonodos suspeitos, o que a TC não consegue fazer com a mesma acurácia.
Geralmente, tumores T3/T4 ou com presença de linfonodos acometidos (N+) na RNM de pelve são candidatos à radioquimioterapia neoadjuvante para reduzir o volume tumoral e aumentar as chances de preservação esfincteriana e margens livres.
A localização (reto inferior, médio ou superior) influencia a técnica cirúrgica e a probabilidade de necessidade de neoadjuvância, sendo o reto médio e inferior os que mais se beneficiam da avaliação criteriosa da margem mesorretal pela RNM.
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