Vigilância Ativa no Câncer de Próstata: Indicações e Conduta

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2024

Enunciado

Homem, 72 anos, PSA total de 6 ng/dl com relação de 8%, toque retal: Próstata de 40 gramas, fibro-elástica e sem nódulo, foi submetido a biópsia de próstata que identificou 1 fragmento acometido de 12, com adenocarcinoma de próstata gleason 6 (3+3) com 10% de acometimento. A melhor conduta nesse caso é:

Alternativas

  1. A) prostatectomia radical.
  2. B) radioterapia 3D com feixe modulado.
  3. C) vigilância ativa.
  4. D) bloqueio hormonal.
  5. E) prostatectomia radical + radioterapia pélvica + bloqueio hormonal.

Pérola Clínica

Gleason 6 (3+3) + PSA < 10 + Baixo volume tumoral = Vigilância Ativa.

Resumo-Chave

A vigilância ativa é a estratégia de escolha para tumores de próstata de muito baixo risco, visando postergar o tratamento definitivo e evitar efeitos colaterais.

Contexto Educacional

O manejo do câncer de próstata evoluiu significativamente com o reconhecimento de que muitos tumores detectados pelo rastreamento com PSA são indolentes e não ameaçam a vida do paciente. O Escore de Gleason 6 (3+3) representa um tumor bem diferenciado com baixíssimo potencial metastático. Em pacientes com baixo volume tumoral (como 1 fragmento de 12 e 10% de acometimento), a Vigilância Ativa (VA) é a conduta preferencial. A VA consiste no acompanhamento clínico estreito com dosagens seriadas de PSA, exames de toque retal e biópsias de reestadiamento (ou RM multiparamétrica). O objetivo é oferecer tratamento definitivo (cirurgia ou radioterapia) apenas se a doença mostrar sinais de progressão biológica, preservando assim a qualidade de vida do paciente e evitando as complicações inerentes aos tratamentos invasivos.

Perguntas Frequentes

O que define um câncer de próstata de baixo risco?

O baixo risco é geralmente definido por um PSA < 10 ng/mL, Escore de Gleason ≤ 6 (3+3) e estágio clínico T1c ou T2a. Além disso, critérios de 'muito baixo risco' incluem menos de 3 fragmentos positivos na biópsia, menos de 50% de envolvimento em qualquer fragmento e densidade de PSA < 0,15 ng/mL/g.

Qual a diferença entre vigilância ativa e conduta expectante?

A vigilância ativa é uma estratégia curativa para pacientes jovens/saudáveis com tumores indolentes, envolvendo monitoramento rigoroso (PSA, toque, re-biópsia) para intervir se houver progressão. A conduta expectante (watchful waiting) é paliativa, indicada para pacientes com baixa expectativa de vida, focando no controle de sintomas se a doença progredir.

Quando migrar da vigilância ativa para o tratamento definitivo?

A intervenção é considerada se houver evidência de progressão da doença, como aumento no Escore de Gleason em biópsias de acompanhamento (upgrading para Gleason ≥ 7), aumento significativo no volume tumoral na biópsia ou, em alguns protocolos, um tempo de duplicação do PSA muito curto.

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