Rastreamento de Câncer de Próstata: Riscos e Benefícios

CEREM - Comissão Estadual de Residência Médica de Alagoas — Prova 2021

Enunciado

Homem, 62 anos de idade, comparece à Unidade Básica de Saúde, UBS, pois deseja fazer avaliação para neoplasia de próstata, após colega de trabalho ter tido a doença. Relata que acorda, eventualmente, uma vez à noite para urinar, mas nega outros sintomas. Mantém calibre do jato urinário normal e nega gotejamento terminal. O paciente é casado, tem vida sexual ativa, sem problemas. Tem antecedentes de uretrite na juventude, tratada com antibióticos. Nega história familiar de CA de Próstata, embora relate que sua mãe teve câncer de mama. Ex tabagista, tendo abandonado o hábito há 20 anos. Carga tabágica prévia: 16 anos/maço. Nega etilismo. Nunca fez exames para Cancer de próstata.Com relação às estratégias quanto à investigação de neoplasia de próstata nesse paciente, pode se afirmar que

Alternativas

  1. A) esse paciente está na faixa de triagem, que está indicada dos 60 aos 80 anos de idade.
  2. B) esse paciente já devia ter feito o toque retal desde os 50 anos de idade.
  3. C) a dosagem de PSA total e livre deve ser feita, pois é mais sensível que o toque retal.
  4. D) a triagem pode aumentar os agravos à saúde em decorrência de iatrogenia.

Pérola Clínica

Rastreio de CA de próstata exige decisão compartilhada; o risco de iatrogenia e sobrediagnóstico é elevado.

Resumo-Chave

O rastreamento populacional sistemático do câncer de próstata não é recomendado de forma universal sem discussão de riscos, pois pode levar a biópsias desnecessárias e tratamentos de tumores indolentes.

Contexto Educacional

O debate sobre o rastreamento do câncer de próstata é um pilar da medicina baseada em evidências e da prevenção quaternária. Embora o PSA seja um marcador sensível, ele não é específico para câncer, podendo elevar-se em prostatites e hiperplasia benigna. O grande desafio clínico é diferenciar tumores agressivos de tumores indolentes. Estudos como o ERSPC e o PLCO mostram resultados conflitantes sobre a redução da mortalidade específica, enquanto evidenciam claramente o aumento de diagnósticos de tumores de baixo risco. Portanto, a abordagem na Atenção Primária deve focar na autonomia do paciente, explicando que o rastreio é uma escolha individual baseada em valores pessoais e compreensão dos riscos de complicações versus a possibilidade de detecção precoce.

Perguntas Frequentes

O que é sobrediagnóstico no câncer de próstata?

Sobrediagnóstico ocorre quando o rastreamento identifica tumores que nunca causariam sintomas ou morte durante a vida do paciente. Como muitos cânceres de próstata são de crescimento muito lento (indolentes), detectá-los leva a tratamentos desnecessários (sobretratamento), como cirurgias e radioterapia, que possuem efeitos colaterais significativos como incontinência urinária e disfunção erétil.

Quais as recomendações atuais para o rastreio?

A maioria das sociedades médicas recomenda a 'decisão compartilhada'. Homens entre 50 e 69 anos (ou a partir dos 45 se houver fatores de risco como raça negra ou histórico familiar) devem ser informados sobre os benefícios incertos e os riscos reais do rastreio antes de realizar o PSA ou toque retal.

Por que a iatrogenia é uma preocupação no rastreio?

A iatrogenia no contexto do rastreio de próstata advém de biópsias que podem causar infecções e sangramentos, além das complicações definitivas do tratamento de tumores que não precisariam de intervenção. A prevenção quaternária foca justamente em evitar esses danos causados por intervenções médicas excessivas.

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