Radioterapia de Resgate no Câncer de Próstata Recidivado

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024

Enunciado

Homem de 68 anos apresenta aumento nos valores de PSA após prostatectomia radical com intuito curativo para câncer de próstata. Apesar de ter realizado linfadenectomia obturatória bilateral, método padrão-ouro na época da cirurgia, os exames de imagem de reestadiamento mostraram uma única lesão suspeita para recidiva nos gânglios linfáticos pélvicos. Qual o tratamento recomendado para este paciente considerando-se doença metastática?

Alternativas

  1. A) Terapia hormonal com agonistas do hormônio liberador do hormônio luteinizante (LHRH).
  2. B) Radioterapia de resgate.
  3. C) Quimioterapia sistêmica.
  4. D) Terapia de inibição da síntese androgênica tipo abiraterona.

Pérola Clínica

PSA ↑ pós-prostatectomia + lesão pélvica única → Radioterapia de resgate.

Resumo-Chave

Em pacientes com recidiva local ou regional (ganglionar pélvica) após prostatectomia radical, a radioterapia de resgate é a conduta preferencial com intuito curativo.

Contexto Educacional

A recidiva bioquímica após prostatectomia radical ocorre em cerca de 20-40% dos pacientes ao longo de 10 anos. O manejo depende fundamentalmente da diferenciação entre recidiva local/regional e doença metastática sistêmica. Com o advento de exames de imagem sensíveis, como o PET-CT com PSMA, é possível identificar recidivas oligometastáticas em linfonodos pélvicos. Nesses casos, a radioterapia de resgate direcionada ao leito e às cadeias linfonodais oferece uma chance de controle oncológico duradouro, postergando a necessidade de terapias sistêmicas paliativas.

Perguntas Frequentes

O que define falha bioquímica pós-prostatectomia?

A falha ou recidiva bioquímica após uma prostatectomia radical é definida por níveis de PSA detectáveis e crescentes, geralmente estabelecidos como um valor de PSA > 0,2 ng/mL em duas medições consecutivas. Esse aumento sugere a presença de células prostáticas residuais, sejam elas no leito cirúrgico ou em locais metastáticos, exigindo investigação por imagem.

Quando indicar radioterapia de resgate?

A radioterapia de resgate é indicada quando há evidência de recidiva local (no leito prostático) ou regional (linfonodos pélvicos) após a cirurgia, sem evidência de metástases à distância (M0). O objetivo é o controle local da doença e a cura, sendo mais eficaz quando iniciada precocemente, idealmente com níveis de PSA ainda baixos (abaixo de 0,5 ng/mL).

Qual o papel da linfadenectomia no estadiamento?

A linfadenectomia pélvica realizada durante a prostatectomia radical serve para o estadiamento nodal preciso, identificando metástases ocultas que podem não ser vistas em exames de imagem convencionais. A presença de linfonodos positivos influencia a decisão sobre tratamentos adjuvantes ou de resgate, como a radioterapia estendida e a hormonioterapia.

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