CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2015
Paciente do sexo feminino, 48 anos, apresenta quadro de icterícia progressiva e perda de peso de 15 kg há cerca de 2 meses. Refere plenitude pós-prandial após alimentação com sólidos e vômitos alimentares frequentes, com melhor tolerância à alimentação líquido-pastosa. Nega dor abdominal. Ao exame físico, apresenta-se ictérica ++++/4, emagrecida. Linfonodo palpável em região supraclavicular esquerda. Sinais vitais normais. Abdome plano, flácido, indolor à palpação, sem massas palpáveis, com sinal de Courvoisier-Terrier presente. Leucograma: 5.800; hematócrito: 30%; hemoglobina: 10 mg/dl. AST e ALT normais. Bilirrubina total: 15 mg/dl; com bilirrubina direta: 13,8 mg/dl. Sobre o caso acima, assinale a alternativa INCORRETA:
Linfonodo de Virchow (supraclavicular esquerdo) em câncer de pâncreas = metástase à distância. Indica doença irressecável para cura.
A presença de um linfonodo de Virchow (linfonodo supraclavicular esquerdo) em um paciente com suspeita de câncer de pâncreas indica metástase à distância, classificando a doença como estágio IV. Nesses casos, a cirurgia de Whipple não é curativa e o tratamento deve ser focado em paliação e quimioterapia sistêmica. A ressecabilidade é um fator chave para a possibilidade de cura.
O câncer de pâncreas é uma das neoplasias mais letais, com alta taxa de mortalidade devido ao diagnóstico tardio e à agressividade biológica. A icterícia progressiva, perda de peso e plenitude pós-prandial são sintomas comuns. A presença de sinais como o linfonodo de Virchow (metástase supraclavicular esquerda) ou o sinal de Courvoisier-Terrier (vesícula biliar palpável e indolor em paciente ictérico) são indicativos de doença avançada. A epidemiologia mostra que a maioria dos casos é diagnosticada em estágios irressecáveis. A fisiopatologia envolve a transformação maligna das células ductais pancreáticas, com rápida disseminação local e à distância. O estadiamento preciso é crucial para definir a conduta. Exames como a ultrassonografia endoscópica (USE) são superiores à tomografia computadorizada (TC) para avaliar o envolvimento locorregional e realizar biópsias. O marcador tumoral CA-19.9 é útil no diagnóstico diferencial, monitoramento e prognóstico, mas não é específico para rastreamento. O tratamento curativo, a cirurgia de Whipple (pancreaticoduodenectomia), é reservado para pacientes com doença ressecável, sem metástases à distância ou envolvimento vascular importante. A presença de um linfonodo de Virchow indica doença metastática (estágio IV), tornando a cirurgia de Whipple com intenção curativa inviável. Nesses casos, o foco do tratamento é paliativo, visando aliviar sintomas como icterícia (anastomose biliodigestiva ou stents) e obstrução gástrica (gastroenteroanastomose), além de quimioterapia sistêmica para controle da doença e melhora da qualidade de vida. O prognóstico para câncer de pâncreas metastático é desfavorável, mas o manejo adequado dos sintomas é fundamental.
A presença de um linfonodo de Virchow (linfonodo supraclavicular esquerdo) em um paciente com câncer de pâncreas é um sinal de metástase à distância. Isso significa que a doença já se disseminou para fora da região pancreática, classificando-a como estágio IV e tornando-a irressecável para fins curativos.
As opções de tratamento paliativo visam aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida. Incluem anastomose biliodigestiva (para icterícia), gastroenteroanastomose (para obstrução gástrica), colocação de stents biliares ou duodenais, quimioterapia e radioterapia para controle de sintomas e prolongamento da vida.
A ultrassonografia endoscópica (USE) é uma ferramenta diagnóstica altamente sensível para o câncer de pâncreas, especialmente para lesões pequenas. Ela permite uma avaliação detalhada da lesão, do envolvimento vascular e linfonodal locorregional, e a realização de biópsia por punção aspirativa por agulha fina (PAAF) para confirmação histopatológica, sendo superior à TC em alguns aspectos do estadiamento locorregional.
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