Câncer de Pâncreas Borderline: Conduta Neoadjuvante

HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2021

Enunciado

Homem, 64 anos, há 3 meses apresenta perda de peso e anorexia. Há 2 semanas passa a apresentar prurido, icterícia e colúria. Performance status de I. Tomografia computadorizada de abdômen com contraste mostra massa tumoral sólida de 2,8 cm na topografia da cabeça do pâncreas, definida como borderline por suspeita de invasão parietal da veia porta. Entre as opções abaixo, a melhor conduta a ser realizada neste caso é

Alternativas

  1. A) gastroenteroanastomose para evitar quadro obstrutivo duodenal.
  2. B) duodenopancreatectomia com pretensão curativa.
  3. C) quimioterapia/radioterapia neoadjuvante.
  4. D) bypass bileodigestivo paliativo.

Pérola Clínica

Câncer de pâncreas borderline com invasão vascular suspeita → quimio/radioterapia neoadjuvante.

Resumo-Chave

Em casos de câncer de pâncreas borderline, a neoadjuvância (quimioterapia e/ou radioterapia) é a conduta preferencial. O objetivo é reduzir o tumor, tornar a ressecção cirúrgica mais segura e aumentar as chances de margens livres, melhorando o prognóstico.

Contexto Educacional

O adenocarcinoma de pâncreas é uma neoplasia agressiva com prognóstico reservado, sendo a quarta causa de morte por câncer. A classificação da ressecabilidade (ressecável, borderline ressecável, localmente avançado, metastático) é crucial para definir a estratégia terapêutica. Tumores borderline ressecáveis são aqueles com contato com vasos mesentéricos superiores ou veia porta/esplênica, mas que podem ser ressecados após tratamento de indução. O paciente apresenta icterícia e perda de peso, sintomas clássicos de obstrução biliar e doença avançada. A tomografia revela uma massa na cabeça do pâncreas com suspeita de invasão da veia porta, classificando-o como borderline. Nesses casos, a conduta ideal é a neoadjuvância, que pode incluir quimioterapia e/ou radioterapia, visando reduzir o tumor e aumentar a chance de uma ressecção cirúrgica completa (R0). A quimioterapia/radioterapia neoadjuvante permite a seleção biológica dos pacientes, identificando aqueles com doença mais agressiva que não se beneficiariam da cirurgia. Após a neoadjuvância, o paciente é reavaliado para possível duodenopancreatectomia. O bypass bileodigestivo paliativo ou gastroenteroanastomose seriam opções para pacientes com doença irressecável ou para alívio de sintomas obstrutivos, mas não para um paciente com performance status I e tumor borderline.

Perguntas Frequentes

O que define um tumor de pâncreas como borderline ressecável?

Um tumor de pâncreas é classificado como borderline ressecável quando há contato com artérias ou veias importantes (como veia porta/mesentérica superior) que pode ser abordado cirurgicamente após tratamento neoadjuvante, mas a ressecção inicial é de alto risco para margens positivas.

Qual o objetivo da quimioterapia/radioterapia neoadjuvante no câncer de pâncreas?

O objetivo é reduzir o tamanho do tumor, esterilizar margens, converter tumores borderline ou localmente avançados em ressecáveis, e tratar micrometástases, aumentando a taxa de ressecção R0 (margens livres) e a sobrevida.

Quando a duodenopancreatectomia é a primeira opção?

A duodenopancreatectomia é a primeira opção em tumores de pâncreas claramente ressecáveis, sem envolvimento vascular significativo ou metástases à distância, onde a ressecção R0 é altamente provável desde o início.

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