INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2022
Uma paciente com 68 anos de idade, tabagista de longa data, foi encaminhada pelo médico da Unidade Básica de Saúde (UBS) para atendimento em ambulatório de cirurgia. O médico da UBS forneceu relatório afirmando que a paciente apresenta dor em região superior do abdome, que irradia para dorso, de forte intensidade, há cerca de 2 meses, associada a perda ponderai de quatro quilos, queda do estado geral e início de diabetes nesse mesmo período. A paciente relata prurido no corpo e, ao exame, apresenta icterícia moderada (2+/4+). Paciente sem comorbidades prévias. Considerando o caso apresentado, qual a principal hipótese diagnóstica e o exame de imagem inicial a ser solicitado?
Idoso tabagista com dor epigástrica irradiando para dorso, perda peso, icterícia e DM novo → Câncer de pâncreas. USG abdome inicial.
A tríade de dor epigástrica irradiando para o dorso, perda ponderal e icterícia obstrutiva em um paciente idoso, especialmente tabagista e com diabetes de novo início, é altamente sugestiva de câncer de pâncreas. O ultrassom de abdome é o exame inicial para avaliar a via biliar e o pâncreas, sendo rápido, acessível e capaz de identificar dilatação biliar.
O câncer de pâncreas é uma neoplasia agressiva com alta mortalidade, frequentemente diagnosticada em estágios avançados devido à sua apresentação insidiosa. A epidemiologia mostra que é mais comum em idosos, com o tabagismo sendo um dos principais fatores de risco modificáveis. A importância clínica reside na necessidade de um diagnóstico precoce para possibilitar intervenções curativas, que são limitadas. A fisiopatologia do adenocarcinoma de pâncreas, o tipo mais comum, envolve mutações genéticas que levam ao crescimento descontrolado das células ductais. Os sintomas variam conforme a localização do tumor. Tumores na cabeça do pâncreas frequentemente causam icterícia obstrutiva (com prurido e colúria) devido à compressão do ducto biliar comum. Tumores no corpo ou cauda podem manifestar-se com dor abdominal irradiando para o dorso, perda ponderal inexplicada, anorexia e, por vezes, diabetes mellitus de novo início ou piora de um diabetes preexistente, devido à destruição das células beta. O diagnóstico inicial de icterícia obstrutiva geralmente começa com um ultrassom de abdome, que pode confirmar a dilatação biliar e, por vezes, identificar a massa pancreática. Se o ultrassom for inconclusivo ou a suspeita de câncer de pâncreas for alta, a tomografia computadorizada (TC) de abdome com contraste é o exame de escolha para estadiamento e planejamento cirúrgico. A ressonância magnética (RM) com colangiopancreatografia por RM (CPRM) pode ser útil para detalhar a via biliar. O tratamento depende do estágio, podendo incluir cirurgia (ressecção de Whipple), quimioterapia e/ou radioterapia. O prognóstico é reservado, mas avanços terapêuticos têm melhorado a sobrevida em alguns casos.
Os principais fatores de risco incluem tabagismo, idade avançada, histórico familiar de câncer de pâncreas, pancreatite crônica, obesidade e diabetes mellitus de longa data ou de novo início.
O ultrassom é um exame rápido, não invasivo e amplamente disponível que pode identificar a presença de dilatação das vias biliares e, em muitos casos, a causa da obstrução, como cálculos ou massas pancreáticas/biliares.
Além da icterícia, sintomas como dor abdominal superior irradiando para o dorso, perda de peso inexplicada, anorexia, náuseas, vômitos e diabetes mellitus de novo início são altamente sugestivos de câncer de pâncreas.
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