FAA/UNIFAA - Hospital Escola Luiz Gioseffi Jannuzzi (RJ) — Prova 2015
Paciente F.M., masculino, 80 anos, apresenta perda de peso e icterícia. É etilista crônico e tabagista de longa data. Já apresentou diversas internações por dor abdominal e vômito com melhora ao tratamento clínico. Há dois meses refere desconforto abdominal em epigástrio e hipocôndrio direito. Relata perda ponderal de aproximadamente, 10 Kg após o inicio dos sintomas de acolia fecal, urina escurecida, náusea e anorexia. Sinais vitais : FC= 90 bpm, FR=15 irpm, PA= 150 x 80mmHg, Tax 36, 6ºC. Ao exame emagrecido, ictérico 3+/4+. Abdome dor discreta a palpação do epigástrio e hipocôndrio direito, abaulamento palpável de limites imprecisos em epigástrio. Sem descompressão dolorosa. Edema de membros inferiores ++/4+. Exames complementares : Ht: 29% , Hb: 10g/dl, leucometria sem alterações, TGO: 55u/l, TGP: 70u/l, FA: 350u/l, GGT: 200u/l, TAP: 91%. A presença de dor abdominal de difícil controle que surge com a evolução da doença, deve-se principalmente a:
Dor abdominal em câncer de pâncreas avançado → comprometimento do plexo celíaco.
A dor abdominal intensa e de difícil controle no câncer de pâncreas avançado é frequentemente causada pelo comprometimento e invasão do plexo celíaco pelo tumor, que é rico em fibras nervosas sensitivas.
O câncer de pâncreas, predominantemente o adenocarcinoma, é uma neoplasia agressiva com alta mortalidade, frequentemente diagnosticada em estágios avançados. Fatores de risco incluem idade avançada, tabagismo, etilismo crônico, pancreatite crônica e histórico familiar. A apresentação clínica é variada, mas a perda de peso, icterícia obstrutiva e dor abdominal são sintomas comuns. A dor abdominal é um sintoma proeminente e muitas vezes incapacitante no câncer de pâncreas, especialmente em fases mais avançadas da doença. Essa dor, frequentemente localizada no epigástrio e irradiando para o dorso, é caracteristicamente de difícil controle. Sua principal causa é a invasão e o comprometimento do plexo celíaco pelas células tumorais. O plexo celíaco é uma rede complexa de nervos autônomos localizada na região retroperitoneal, próximo ao pâncreas, e sua infiltração resulta em dor neuropática intensa. O manejo da dor no câncer de pâncreas é crucial para a qualidade de vida do paciente e pode envolver analgésicos potentes, como opioides, e procedimentos intervencionistas, como o bloqueio do plexo celíaco. O diagnóstico precoce é desafiador devido à localização anatômica do pâncreas e à inespecificidade dos sintomas iniciais, o que contribui para o prognóstico desfavorável da doença.
A dor abdominal de difícil controle no câncer de pâncreas avançado deve-se principalmente ao comprometimento e invasão do plexo celíaco pelo tumor.
Fatores de risco incluem idade avançada, etilismo crônico, tabagismo, pancreatite crônica e histórico familiar de câncer de pâncreas.
Além da dor abdominal, sintomas como perda de peso inexplicada, icterícia (acolia fecal, urina escura), náuseas, anorexia e diabetes de início recente são sugestivos.
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