SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2021
Homem de 70 anos foi encaminhado ao ambulatório de cirurgia geral com quadro de dor abdominal em epigástrio, emagrecimento de 15 kg em 6 meses, icterícia, esteatorreia e massa palpável indolor em hipocôndrio direito. História patológica pregressa, alega ser hipertenso em uso irregular de medicação e aparecimento de diabetes tipo II há cerca de 6 meses. Hábitos de vida, tabagista 20 cigarros por dia durante 40 anos e etilista social. A primeira hipótese diagnóstica do médico assistente foi câncer de pâncreas. Marque a alternativa CORRETA em relação ao diagnóstico e tratamento.
CA 19-9 é marcador chave para câncer de pâncreas; valores >1000 U/ml sugerem irressecabilidade.
O CA 19-9 é o principal marcador tumoral para câncer de pâncreas, com sensibilidade e especificidade variáveis. Níveis muito elevados, especialmente acima de 1.000 U/ml, são frequentemente associados a doença avançada e irressecável, auxiliando na decisão terapêutica.
O câncer de pâncreas é uma neoplasia agressiva com prognóstico geralmente reservado, frequentemente diagnosticada em estágios avançados devido à inespecificidade dos sintomas iniciais. A tríade de dor abdominal, icterícia e emagrecimento, especialmente em pacientes idosos com fatores de risco como tabagismo e diabetes de novo início, deve levantar alta suspeita. A icterícia indolor, em particular, é um sinal clássico de tumor na cabeça do pâncreas. O diagnóstico envolve exames de imagem como tomografia computadorizada ou ressonância magnética, que podem identificar a massa e avaliar a extensão da doença. O marcador tumoral CA 19-9 é um adjuvante importante, com valores elevados correlacionando-se com a carga tumoral e, em níveis muito altos, com a irressecabilidade. No entanto, é importante lembrar que o CA 19-9 pode estar elevado em outras condições benignas e não é um marcador de rastreamento. O tratamento curativo para o câncer de pâncreas é a ressecção cirúrgica, mas apenas uma minoria dos pacientes é elegível para cirurgia no momento do diagnóstico. A duodenopancreatectomia (Whipple) é a cirurgia padrão para tumores da cabeça do pâncreas, enquanto a pancreatectomia distal é para tumores de corpo e cauda. A avaliação da ressecabilidade é crítica e baseia-se na ausência de metástases distantes e na ausência de invasão vascular significativa. A quimioterapia neoadjuvante ou adjuvante desempenha um papel crescente no manejo desses pacientes, visando melhorar os resultados oncológicos.
Os sintomas clássicos incluem dor abdominal em epigástrio que irradia para o dorso, icterícia obstrutiva (especialmente indolor), emagrecimento inexplicado, esteatorreia e, em alguns casos, o aparecimento recente de diabetes tipo II. A massa palpável indolor em hipocôndrio direito (sinal de Courvoisier) sugere obstrução biliar por tumor de cabeça de pâncreas.
O CA 19-9 é o marcador tumoral mais utilizado para o câncer de pâncreas. Embora não seja diagnóstico por si só, é útil no monitoramento da resposta ao tratamento, na detecção de recorrência e, em níveis muito elevados (acima de 1.000 U/ml), pode indicar irressecabilidade do tumor, auxiliando na estratificação e planejamento terapêutico.
A duodenopancreatectomia (cirurgia de Whipple) é a cirurgia de escolha para tumores da cabeça do pâncreas. Para tumores de corpo e cauda, a pancreatectomia distal é mais comum. A cirurgia é indicada apenas para tumores ressecáveis, ou seja, aqueles que não invadem vasos importantes ou não apresentam metástases distantes.
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