Câncer de Ovário Suspeito: Abordagem Diagnóstica e Cirúrgica

UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2020

Enunciado

Mulher de 59 anos, G3P2(N)A1, menopausa aos 47 anos, usou TH por 5 anos. Refere sangramento transvaginal discreto por duas ocasiões nos últimos 2 meses. Refere ainda desconforto abdominal, sensação de plenitude e aumento de volume abdominal. Ao exame: aumento de volume abdominal com massa pélvica móvel de consistência endurecida predominante à esquerda. Ao toque vaginal, tumoração palpável predominantemente em anexo esquerdo de aproximadamente 8-10 cm, móvel e algo dolorosa. USG transvaginal: útero de volume 44 cm³, endométrio de 5 mm e tumor cístico-sólido irregular de 9 cm à esquerda e outro de característica semelhante de 5 cm à direita. O próximo passo será:

Alternativas

  1. A) Realizar histeroscopia diagnóstica com biópsia de endométrio, para em seguida planejamento terapêutico.
  2. B) Realizar biópsia percutânea das lesões anexiais, para em seguida planejamento cirúrgico.
  3. C) Realizar vídeo-laparoscopia para diagnóstico e possível planejamento terapêutico das lesões anexiais
  4. D) Planejar Laparotomia exploradora para confirmação diagnóstica e tratamento cirúrgico do provável tumor ovariano.
  5. E) Quimioterapia neoadjuvante, para em seguida planejamento cirúrgico.

Pérola Clínica

Mulher pós-menopausa com massa anexial complexa e sangramento → alta suspeita de câncer de ovário, indicar laparotomia exploradora.

Resumo-Chave

Em mulheres pós-menopausa, a presença de massa anexial complexa, bilateral, com componentes cístico-sólidos e sintomas inespecíficos (desconforto abdominal, plenitude) é altamente sugestiva de câncer de ovário. O sangramento pós-menopausa também é um sinal de alerta. Nesses casos, a abordagem inicial é a laparotomia exploradora para diagnóstico e estadiamento cirúrgico.

Contexto Educacional

O câncer de ovário é uma neoplasia ginecológica com alta mortalidade, frequentemente diagnosticada em estágios avançados devido à inespecificidade de seus sintomas iniciais. Em mulheres pós-menopausa, a presença de sangramento transvaginal, massa pélvica com características suspeitas (cístico-sólida, irregular, bilateral) e sintomas abdominais como plenitude e aumento de volume, levanta forte suspeita de malignidade. A idade avançada e o histórico de TH (terapia hormonal) também são fatores de risco a serem considerados. A avaliação inicial de uma massa anexial em pós-menopausa deve incluir ultrassonografia transvaginal e marcadores tumorais como o CA-125, embora este último não seja diagnóstico. No cenário apresentado, com achados ultrassonográficos de tumores cístico-sólidos bilaterais e sintomas de disseminação, a probabilidade de malignidade é alta. A conduta mais apropriada é a laparotomia exploradora, que permite não apenas a confirmação diagnóstica por biópsia, mas também o estadiamento cirúrgico completo e a citorredução, que são pilares do tratamento do câncer de ovário. Para residentes, é crucial reconhecer os sinais de alerta para câncer de ovário e entender a importância da abordagem cirúrgica inicial para diagnóstico e tratamento. A biópsia percutânea de lesões anexiais é geralmente contraindicada em casos de alta suspeita de malignidade devido ao risco de disseminação tumoral. A videolaparoscopia pode ser considerada em casos selecionados de menor risco, mas para tumores complexos e suspeita de doença avançada, a laparotomia oferece melhor acesso e controle para o estadiamento e a citorredução ótimos.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas de alerta para câncer de ovário em mulheres pós-menopausa?

Sinais de alerta incluem sangramento pós-menopausa, desconforto abdominal persistente, sensação de plenitude, aumento do volume abdominal, dor pélvica e alterações do hábito intestinal ou urinário. A presença de massa anexial complexa ao exame de imagem é um achado importante.

Por que a laparotomia exploradora é o próximo passo em caso de alta suspeita de câncer de ovário?

A laparotomia exploradora permite a visualização direta da cavidade abdominal, a coleta de material para biópsia (diagnóstico definitivo), a avaliação da extensão da doença (estadiamento) e, se possível, a citorredução cirúrgica, que é fundamental para o tratamento do câncer de ovário.

Qual o papel da histeroscopia e biópsia de endométrio neste cenário?

A histeroscopia com biópsia de endométrio seria indicada para investigar o sangramento transvaginal, que pode ser causado por patologias endometriais. Embora importante, a presença de massas anexiais complexas e sintomas de plenitude direciona a investigação primária para o ovário, que tem maior potencial de malignidade neste contexto.

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