MedEvo Simulado — Prova 2026
O câncer de ovário é frequentemente referido como o "assassino silencioso" da ginecologia, apresentando a maior taxa de letalidade entre as neoplasias do trato reprodutivo feminino, em grande parte devido ao diagnóstico tardio em cerca de 75% dos casos. A compreensão dos mecanismos de carcinogênese e das limitações das ferramentas diagnósticas atuais é crucial para o raciocínio clínico. Com base nos fatores etiológicos, proteção e estratégias de detecção do câncer epitelial de ovário, assinale a alternativa correta.
Ovulação incessante ↑ risco de CA ovário; multiparidade e ACO (bloqueio da ovulação) são protetores.
A carcinogênese ovariana está ligada ao trauma epitelial repetido da ovulação; fatores que inibem a ovulação reduzem o risco de neoplasia epitelial.
O câncer de ovário epitelial é a neoplasia ginecológica mais letal devido ao seu comportamento insidioso e falta de métodos de rastreamento eficazes. A maioria das pacientes é diagnosticada em estádios avançados (III ou IV da FIGO), onde a disseminação peritoneal já ocorreu. A compreensão dos fatores de risco, como nuliparidade e história familiar, é essencial para a identificação de grupos de alto risco. O estadiamento do câncer de ovário é obrigatoriamente cirúrgico, envolvendo laparotomia mediana, citologia peritoneal, omentectomia, biópsias peritoneais e linfadenectomia pélvica e para-aórtica. Diferente de outros tumores, a imagem (TC ou RM) auxilia no planejamento, mas não define o estádio final. A cirurgia citorredutora máxima, visando resíduo tumoral zero, associada à quimioterapia baseada em platina, continua sendo o pilar do tratamento.
A teoria da ovulação incessante sugere que a ruptura e o reparo repetitivos do epitélio germinativo ovariano a cada ciclo menstrual induzem proliferação celular e inflamação local. Esse processo aumenta a probabilidade de mutações genéticas e eventos de transformação maligna. Por isso, estados que interrompem esse ciclo, como gravidez, lactação e uso de anticoncepcionais orais, reduzem o risco.
Grandes estudos demonstraram que o rastreamento populacional com CA-125 e ultrassonografia transvaginal em mulheres de risco habitual não reduz a mortalidade. O CA-125 tem baixa especificidade (aumenta em endometriose, miomas, DIP) e baixa sensibilidade em estádios iniciais, levando a muitas cirurgias desnecessárias por resultados falso-positivos.
Embora fundamentais, as mutações germinativas nos genes BRCA1 e BRCA2 estão presentes em apenas cerca de 15% dos casos de carcinoma epitelial de ovário. Pacientes portadoras têm um risco significativamente maior ao longo da vida, o que justifica estratégias de redução de risco, como a salpingo-oforectomia profilática, mas a maioria dos cânceres de ovário é esporádica.
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