Câncer de Ovário: Diagnóstico e Abordagem Terapêutica

IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2025

Enunciado

Paciente de 46 anos previamente hígida procura assistência médica devido à aumento do volume abdominal, associado à dor e constipação há 1 mês. Nega febre ou outros sintomas. Ao exame físico apresenta abdômen distendido, endurecido, doloroso à palpação difusa, sinal de piparote positivo. USG transvaginal com complementação abdominal evidenciando grande quantidade de líquido livre na cavidade, tumorações complexas bilateralmente em região de anexos, medindo 7cm à direita e 11cm à esquerda, septos grosseiros com vascularização com baixo índice de resistência, exibindo vegetações parietais no seu interior, útero de tamanho e morfologia dentro da normalidade. Traz exames de rotina ginecológica realizada 6 meses antes, sem alterações. Qual a hipótese diagnóstica e a conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) Cisto ovariano hemorrágico roto / Ooforoplastia bilateral videolaparoscópica.
  2. B) Câncer de ovário / videolaparoscopia diagnóstica com biópsia de congelação (ovariana ou de implantes peritoniais). Se biópsia positiva para malignidade, avaliar citorredução máxima R0 (“debulking”). Caso não seja tecnicamente possível, indicado quimioterapia neoadjuvente.
  3. C) Câncer de ovário / laparotomia exploradora para histerectomia total com salpingooforectomia bilateral. Aguardar resultado de biópsia de parafina para definição de adjuvância.
  4. D) Endometriose profunda com endometriomas bilaterais / Ooforoplastia bilateral videolaparoscópica com ressecção cirúrgica de focos de endometriose e inserção de DIU medicado com progesterona para bloqueio da menstruação e controle de sintomas.
  5. E) Cistadenoma mucinoso de ovário roto / Ooforectomia bilateral laparotômica, com lavagem exaustiva da cavidade. Risco de choque tireotóxico devido à mucina ter comportamento biológico semelhante ao hormônio tireoidiano.

Pérola Clínica

Massa anexial complexa + ascite em mulher de meia-idade → Alta suspeita de câncer de ovário.

Resumo-Chave

A apresentação clínica com ascite, aumento do volume abdominal e massas anexiais complexas bilaterais com características de malignidade (septos grosseiros, vascularização com baixo índice de resistência, vegetações) em uma mulher de 46 anos, sem histórico prévio, é altamente sugestiva de câncer de ovário avançado. A conduta inicial deve ser diagnóstica e de estadiamento, com biópsia para confirmação histopatológica.

Contexto Educacional

O câncer de ovário é a neoplasia ginecológica com maior taxa de mortalidade, frequentemente diagnosticado em estágios avançados devido à inespecificidade dos sintomas iniciais. A epidemiologia mostra que a maioria dos casos ocorre em mulheres na pós-menopausa, mas pode afetar mulheres mais jovens. A importância clínica reside na necessidade de alta suspeita e abordagem multidisciplinar para otimizar o prognóstico. A fisiopatologia envolve a transformação maligna das células epiteliais da superfície ovariana, levando à proliferação descontrolada e disseminação peritoneal. O diagnóstico é suspeitado por exames de imagem (USG, TC, RM) que mostram massas anexiais complexas, ascite e implantes peritoneais, e confirmado por biópsia histopatológica. Marcadores tumorais como o CA-125 são úteis no monitoramento e como adjuvantes diagnósticos, mas não são específicos. O tratamento padrão para o câncer de ovário avançado é a cirurgia de citorredução máxima (debulking) seguida de quimioterapia adjuvante. O objetivo da cirurgia é remover o máximo de tecido tumoral visível (R0), pois isso está diretamente relacionado à sobrevida. Em casos onde a citorredução primária R0 não é viável, a quimioterapia neoadjuvante é administrada para reduzir o volume tumoral antes da cirurgia, melhorando as chances de um resultado cirúrgico ótimo.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas de alerta para câncer de ovário?

Os sintomas iniciais são frequentemente inespecíficos, como aumento do volume abdominal, dor pélvica, saciedade precoce, constipação ou alterações urinárias. A presença de ascite e massa anexial complexa aumenta a suspeita.

Qual o papel da videolaparoscopia no diagnóstico do câncer de ovário?

A videolaparoscopia diagnóstica com biópsia de congelação é crucial para confirmar a malignidade, avaliar a extensão da doença (estadiamento) e determinar a viabilidade de uma citorredução primária.

Quando a quimioterapia neoadjuvante é indicada no câncer de ovário?

A quimioterapia neoadjuvante é indicada quando a doença é muito extensa e a citorredução máxima (R0) não é tecnicamente possível na cirurgia inicial, visando reduzir o volume tumoral para uma cirurgia subsequente mais eficaz.

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