PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2020
Mulher de 73 anos, nuligesta, comparece à consulta, com queixa de dor abdominal moderada e dor para evacuar. Informa que perdeu 10 quilos de peso nos últimos seis meses e está se sentindo mais fraca. Ultrassonografia transvaginal realizada há um mês evidenciou massa heterogênea volumosa, de provável topografia anexial direita, com presença de septos grosseiros e cápsula irregular; além de quantidade significativa de líquido livre na pelve. Ao exame físico, palpa-se massa até altura da cicatriz umbilical, fixa e dolorosa. Apresenta edema depressível e indolor em membros inferiores. A conduta MAIS ADEQUADA é:
Massa anexial complexa + ascite + sintomas sistêmicos em idosa → Alta suspeita de câncer de ovário avançado → Laparotomia exploratória.
Em casos de alta suspeita de câncer de ovário avançado, com massa anexial complexa, ascite e sintomas sistêmicos, a conduta inicial mais adequada é a laparotomia exploratória para diagnóstico, estadiamento e citorredução, se possível, em um centro terciário. A biópsia percutânea é geralmente contraindicada devido ao risco de disseminação tumoral e subestadiamento.
O câncer de ovário é a neoplasia ginecológica com maior taxa de mortalidade, frequentemente diagnosticado em estágios avançados devido à inespecificidade dos sintomas iniciais. Fatores de risco incluem idade avançada, nuliparidade e história familiar. A apresentação clínica pode envolver dor abdominal, distensão, perda de peso, saciedade precoce e sintomas urinários/intestinais. A ultrassonografia transvaginal é o método de imagem inicial, mas a presença de características como massa volumosa, septos grosseiros, cápsula irregular e ascite são altamente sugestivas de malignidade. Nesses casos, a avaliação de marcadores tumorais como CA-125 e HE4 pode complementar, mas não substitui a avaliação histopatológica. A conduta mais adequada para o diagnóstico definitivo, estadiamento e tratamento do câncer de ovário avançado é a laparotomia exploratória com citorredução. A biópsia percutânea é geralmente desaconselhada devido ao risco de disseminação tumoral e de subestadiamento da doença, o que pode comprometer o prognóstico da paciente.
Os principais sinais e sintomas incluem dor abdominal, distensão abdominal, saciedade precoce, perda de peso inexplicada, alterações do hábito intestinal e urinário, e edema de membros inferiores. São frequentemente inespecíficos, o que dificulta o diagnóstico precoce.
A laparotomia exploratória permite o diagnóstico definitivo por biópsia, o estadiamento completo da doença e a citorredução (remoção máxima do tumor), que são cruciais para o prognóstico e planejamento terapêutico. É a abordagem mais completa para esses casos.
A biópsia percutânea pode levar à disseminação de células tumorais para a cavidade abdominal ou para o trajeto da agulha, além de poder fornecer uma amostra inadequada para o diagnóstico, comprometendo o estadiamento e o tratamento subsequente.
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